Liderança de Raúl Castro sugere mais pragmatismo em Cuba

Irmão de Fidel reconhece que "existem muitas proibições", que salários são baixos e propõe diálogo com EUA

Fernando Ravsberg, BBC

20 Fevereiro 2008 | 14h15

O governo de Raúl Castro - que assumiu a liderança em Cuba em agosto de 2006, depois que o irmão Fidel se afastou por causa de uma operação - deu início a uma época de mais pragmatismo no país. O general deverá ser eleito o novo presidente do Conselho de Estado no dia 24 de fevereiro e, dessa forma, terá a sua liderança legalizada pelo Parlamento. A partir daí, espera-se que as mudanças se aprofundem e o próprio Raúl Castro já admitiu que "existem muitas proibições" em Cuba que "causam mais danos do que benefícios".   Após 49 anos, Fidel Castro renuncia à Presidência Artigo publicado no Granma (em português) A trajetória de Fidel Castro  Principais capas do Estadão sobre Fidel  Guterman: como a história julgará Fidel?   Fidel Castro: herói ou vilão?  Ruy Mesquita fala sobre Fidel Castro e Cuba Leia cobertura completa da renúncia de Fidel    Exemplos desta posição mais realista não faltam. Na agricultura, o Estado agora paga mais pela carne e pelo leite e as terras começaram a ser divididas. Raúl Castro também reconheceu que os salários em Cuba são muito baixos. Na política exterior, o líder propôs o início do diálogo com os Estados Unidos, aceitou iniciar as discussões sobre direitos humanos com a Espanha e prometeu assinar os protocolos sobre os direitos dos cidadãos da ONU. Mas o principal fato desta nova forma de liderança foi a instituição de um debate político nacional, no qual 5 milhões de cubanos puderam expressar suas opiniões sobre o futuro do país. Deste debate saíram 1,2 milhão de propostas de mudanças para Cuba. Algumas mudanças mais superficiais poderão ser aplicadas imediatamente, como a eliminação da burocracia para que os cubanos possam viajar a outros países. Outras, como a transformação da agricultura, a reorganização da produção, o sistema de propriedade e os baixos salários, poderão levar mais tempo. 'Decisão corajosa' "É o fim de uma época, tanto politicamente como pessoalmente, para Fidel Castro, é uma decisão corajosa, devemos saudar e respeitar esta decisão", disse o dissidente socialdemocrata Manuel Cuesta à BBC a respeito da renúncia do líder. O dissidente afirmou que "para a dissidência já não existe mais um desafio frente ao que Fidel Castro expressava e representava, mas (agora) será um desafio saber interpretar o que realmente quer a sociedade cubana, e isto requer inteligência e astúcia". Mesmo sem nenhum cargo oficial, a figura de Fidel Castro terá um peso enorme e, por isso, além de ceder seu cargo como líder de Cuba, Fidel também terá que deixar os próximos líderes do país livres para governarem. Mariela, a filha de Raúl Castro, disse à BBC que "a mudança de líder leva também a mudanças na sociedade", mas afirmou que estas mudanças ocorrerão "cuidadosa e respeitosamente". Os dirigentes de Cuba demonstraram respeito com o homem que dirigiu os destinos do país durante cinco décadas, mas a realidade é que a população cubana está pressionando cada vez mais por mudanças que signifiquem melhora nas suas vidas.     Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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