Líderes do Khmer Vermelho pegam prisão perpétua no Camboja

Nuon Chea, de 88 anos, conhecido como 'Irmão Número Dois', e o ex-presidente Khieu Samphan, de 83 anos, foram considerados culpados por crimes contra a humanidade

O Estado de S. Paulo

07 Agosto 2014 | 10h18

PHNOM PENH - Um tribunal apoiado pela ONU no Camboja sentenciou, nesta quinta-feira, 7, os dois principais líderes sobreviventes do regime do Khmer Vermelho nos anos 1970 à prisão perpétua, dando uma aparência de Justiça a um dos capítulos mais sangrentos e obscuros do século 20.

A decisão foi apenas a segunda a ser tomada contra “os mais responsáveis” pelas mortes de até 2,2 milhões de cambojanos, e pode ser a última aplicada por um tribunal afetado por disputas e atrasos desde sua criação há nove anos.

Nuon Chea, de 88 anos, conhecido como “Irmão Número Dois”, e o ex-presidente Khieu Samphan, de 83 anos, foram considerados culpados pelos crimes contra a humanidade orquestrados pelo regime, como parte de sua revolução maoísta que durou de 1975 a 1979.

Utilizando óculos escuros, o debilitado Nuon Chea permaneceu sentado quando a decisão foi lida. Khieu Samphan ficou de pé para a sentença, ouvindo atentamente, mas sem mostrar reação.

“Houve ataques sistemáticos e difundidos contra a população civil do Camboja, ataques realizados em muitas formas -- mudança forçada, assassinato, extermínio, desaparecimento, ataques contra a dignidade humana e perseguição política”, disse o juiz Nil Nonn.

Os dois homens enfrentam acusações separadas de genocídio na segunda fase desse complexo julgamento. Havia inicialmente quatro réus, mas o ex-ministro das Relações Exteriores Ieng Sary faleceu em 2012, e sua esposa e ex-ministra Ieng Thirith têm Alzheimer, sendo descartada do julgamento.

A maioria das vítimas morreu de fome, tortura, exaustão ou doença em campos de trabalho, ou foram espancadas até a morte durante execuções em massa pelo país.

Liderado por Pol Pot, o regime buscou levar o Camboja de volta ao “ano zero”, em sua busca pela utopia campesina. Pol Pot, o “Irmão Número Um”, morreu em 1998. / REUTERS

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