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Limites para o peso

Estudo sugere que limitar ouso de telas na infância parece contribuir para um melhor controle das emoções que podem influenciar o peso dos jovens

Jairo Bouer, O Estado de S. Paulo

14 Maio 2017 | 06h53

Colocar a criança na cama na hora certa e limitar o tempo de uso de telas na infância são medidas que podem fazer toda a diferença na redução do risco de obesidade entre adolescentes. Estudo divulgado na semana passada sugere que esses hábitos parecem contribuir para um melhor controle das emoções que podem influenciar o peso dos jovens.

Assistir muita televisão, usar em excesso tablets e celulares e dormir pouco são fatores de risco conhecidos para problemas de peso entre os adultos. Agora, pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos, mostraram que essa influência pode começar já na infância.

Crianças que dormiam e comiam em horários regulares e tinham limites claros no uso de televisão e de outras tecnologias conseguiam lidar melhor com suas emoções e impulsos mais tarde, o que se refletia diretamente em um melhor controle sobre seu peso no início da adolescência.

Foram analisados o comportamento e a rotina de casa de 11 mil crianças de 3 anos nascidas no Reino Unido entre 2000 e 2002 e, depois, avaliados seu peso e altura aos 11 anos.

Aos 3 anos, 41% das crianças tinham hora certa de ir para a cama, 47% seguiam horários regulares das refeições e 23% tinham uso de telas limitado a uma hora por dia. Aos 11 anos, 6% estavam obesas. Entre os pré-escolares que não seguiam uma rotina regular de sono havia um risco 87% maior de estar obeso no início da adolescência.

Crianças que tinham refeições em horários mais regulares também tinham hora mais certa de ir para cama. Elas também tinham melhor regulação sobre suas emoções. E essa melhor administração de sentimentos e impulsos reduziu o risco de obesidade. Os resultados foram publicados no periódico International Journal of Obesity e divulgados pelo jornal inglês Daily Mail.

Bullying e drogas. Um dos “efeitos colaterais” da questão da obesidade na infância e adolescência, além dos impactos óbvios para a saúde, é que muitos desses jovens ficam mais expostos à questão do bullying. O excesso de peso é um dos motivadores frequentes de brincadeiras e chacotas por parte do grupo nessa fase da vida.

Novo estudo, divulgado também na semana passada, mostra que jovens que são vítimas de bullying aos 10 anos de idade correm maior risco de abusar de drogas como álcool, cigarro e maconha quando chegam aos 15 anos.

Pesquisadores da Universidade de Delaware, nos EUA, acompanharam 4.300 estudantes durante sua jornada escolar, dos 10 aos 16 anos, e perceberam que vítimas de bullying, na série equivalente ao nosso ensino fundamental 2, tinham maior risco de estar abusando de substâncias cinco anos depois. Esse uso seria uma tentativa de lidar com sintomas depressivos e emoções negativas que poderiam surgir em função da violência e da pressão psicológica a que elas foram expostas.

Bom lembrar que o bullying, além dos impactos sobre a saúde emocional (que já não são poucos), tem consequência também sobre a saúde física. O uso de cigarro, por exemplo, pode aumentar o risco de problemas respiratórios e cardíacos, além de diversos tipos de câncer. Maconha e álcool na adolescência também podem interferir com o desenvolvimento cognitivo e aumentar a chance de acidentes.

No trabalho, 24% dos adolescentes de 15 e 16 anos relataram uso recente de álcool, 15,2% de maconha e 11,7% de tabaco. Minorias sexuais foram vítimas frequentes de bullying e, nessa situação, garotas abusavam mais de álcool do que os garotos. Os resultados foram publicados na revista médica Pediatrics e divulgados pelo Daily Mail.

Emoções. Os dois estudos mostram para os pais a importância de trabalhar limites e horários em casa desde a infância, ajudar os mais novos a administrar melhor suas emoções e impulsos e também estar atentos a eventuais sinais de bullying que apareçam antes do início da adolescência. Nesse caso, é importante agir junto com a escola para elaborar estratégias de intervenção no grupo que reduzam ou eliminem esse tipo de situação.

A melhor administração de

sentimentos e impulsos reduziu o risco de obesidade

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