Lista de cubanos é divulgada antes de avaliação de curso

Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, diz que a aprovação ainda não está assegurada

LÍGIA FORMENTI, Agência Estado

03 de setembro de 2013 | 20h56

Mesmo sem a aprovação no curso de três semanas de capacitação, cubanos integrantes do Mais Médicos já têm destino certo. Lista divulgada nesta terça-feira, 3, pelo Ministério da Saúde indica onde os profissionais, que há duas semanas desembarcaram no País, desempenharão as atividades nos próximos três anos (veja lista completa aqui).

Apesar de contar com a totalidade dos profissionais para preparar a relação, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a aprovação ainda não está assegurada. "Eles vão passar por uma avaliação rigorosa. A lista é para as prefeituras irem se preparando", afirmou. Médicos cubanos são preparados há pelo menos seis meses para trabalhar no País.

O ministério deve ter a partir desta quarta-feira, 4, uma estimativa de quantos médicos brasileiros não se apresentaram no primeiro dia de trabalho do Mais Médicos. Na primeira fase do programa, 1.096 brasileiros se candidataram para ingressar no programa. Embora a apresentação oficial fosse nesta segunda-feira, 2, um número significativo de profissionais não compareceu. "Isso mostra a dificuldade que as secretarias têm para completar seus quadros", disse o ministro. Padilha preferiu não atribuir o alto índice de desistência a um boicote. "Se for, isso seria uma perversidade inimaginável."

Os profissionais que não compareceram têm até dia 12 para se apresentar. Mas as prefeituras podem declarar o cargo vago. Com isso, os médicos que não compareceram serão excluídos do programa e a vaga é novamente aberta.

Adesão. Padilha usou a baixa adesão de médicos brasileiros para reforçar a necessidade da convocação de profissionais de Cuba. Os médicos cubanos serão enviados para cidades que não despertaram interesse de profissionais brasileiros ou de estrangeiros que se inscreveram na primeira etapa.

A lista divulgada nesta terça-feira mostra que os 400 profissionais serão encaminhados para 219 localidades - 206 municípios e 13 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs). Até o fim do ano, a expectativa é de que todos os 701 municípios que não foram selecionados por médicos do chamamento individual recebam os profissionais cubanos. Até lá, são esperados mais 3,6 mil médicos daquele país.

Pelo cronograma do ministério, a expectativa é de que o primeiro grupo de médicos cubanos inicie o trabalho nas cidades indicadas a partir do dia 16. O governo divulgou nesta terça números atualizados de profissionais e municípios que se inscreveram no Mais Médicos. Contabilizando as inscrições da segunda etapa, concluída na sexta-feira, 30, até agora 4.025 cidades requisitaram 16.625 profissionais.

Um paciente. O primeiro dia de trabalho foi calmo para a médica Kátia Regina Marquinis, de 39 anos. Moradora de São Paulo, ela ingressou no programa Mais Médicos e começou hoje a atender na Unidade Básica de Saúde (UBS) Batistini, em São Bernardo, na Grande São Paulo. Desde as 10 horas, Kátia mantinha-se de pé, a postos para receber o primeiro paciente.

Somente às 15 horas chegou Nelita Santos Nascimento, de 66 anos, que reclamava de dores nas pernas. Na UBS, são atendidas em média 250 pacientes por dia. Embora Kátia tenha tido apenas uma paciente hoje, os outros médicos afirmam que, com o passar do tempo, a agenda dela será preenchida e logo estará lotada. (Colaboraram Mônica Reolom e Victor Vieira)

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