Livre, leve e solta, agora na TV

Longe de ser uma Carrie Bradshaw, Mercedes começa série em Nova York

Patrícia Villalba / RIO,

19 de fevereiro de 2011 | 16h00

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Depois de se separar de Gustavo (José Mayer) e praticar certas estripulias - quem viu o filme sabe - com os personagens de Reynalddo Gianecchini e Cauã Reymond, Mercedes (Lilia Cabral) surgirá no seriado Divã, que estreia na Globo na primeira semana de abril, muito mais bem resolvida do que aquela mulher que testava os limites da vida de solteira entre uma reflexão e outra no consultório de seu analista.

 

Ela começa o primeiro dos oito episódios da série em Nova York, cenário adequado para uma mulher urbana, moderna e amante das artes plásticas. Mas, muito longe de uma Carrie Bradshaw de Sex And The City, não tardará a voltar ao divã, para questionar a vida mais um pouco. "Cada episódio conta uma história, e são oito possibilidades de chegar ao coração feminino. E tomara que o marido que estiver ao lado assistindo aproveite também", anota Lilia, adiantando que entre os temas estão o namoro do filho com uma mulher mais velha e amizades virtuais. "A cada semana, ela vai ao analista com um motivo."

 

A atriz será mais uma vez dirigida por José Alvarenga Jr. (de Os Normais, Separação e Força-Tarefa), também diretor do longa-metragem de 2009 que deu origem ao seriado. Marcelo Saback é outro que volta a trabalhar com ela: é dele o texto da peça que Lilia montou sobre o livro de Martha Medeiros em 2005 e também o roteiro do filme. "É como brincar de casinha com a boneca dos outros", diverte-se ele, ator e roteirista de De Pernas pro Ar, outro blockbuster nacional a arrebatar alguns milhões de espectadores.

 

Sem a melhor amiga de outrora, uma vez que Mônica (Alexandra Richter) morreu no filme, Mercedes vem acompanhada de Tânia (Totia Meireles). "É uma personagem que já havia no livro da Martha Medeiros, mas que não havia sido usada no filme", explica Saback. "Li o livro logo que saiu, num voo de São Paulo a Brasília. Fiquei louca, adorei, mas não me imaginei como a Tânia, foi uma surpresa", diz Totia.

 

Roteirista e diretor detalham que, embora a história na TV recomece do ponto em que parou nos cinemas, pouca coisa do filme voltará para o seriado. Nesse sentido, Gustavo, o ex-marido de Mercedes interpretado por José Mayer, será página virada. "O Zé apareceria no quarto episódio, mas ele não pôde gravar por causa de um probleminha de saúde, então, o Gustavo só vai aparecer nas fotos dos porta-retratos do cenário. De qualquer forma, o seriado foi pensado sem o ex-marido, porque ela já superou mesmo a separação", observa Alvarenga.

 

Livre e totalmente desimpedida, Mercedes será alvo dos galanteios de Jurandir (Marcello Airoldi), vizinho eternamente apaixonado que tenta de todas as formas conquistá-la. Mercedes, entretanto, não estará nada a fim. O que não quer dizer que Lilia voltará a contracenar com galãs do quilate de Reynaldo Gianecchini e Cauã Reymond. "No filme, ela se envolveu com homens tão mais novos porque estava numa fase de experimentar, então fazia sentido termos galãs. No seriado, não há essa preocupação", conta a atriz.

"Quando ela descobrir que o filho está saindo com uma mulher mais velha, vai dizer: ‘Se eu soubesse que filho tem mãe, jamais teria saído com um homem mais novo’."

 

Multi. Leia o livro, veja a peça, assista ao filme, acompanhe o seriado. Por ser tão crível, sincera e, claro, por contar com a interpretação de Lilia Cabral, Mercedes é uma personagem que se desdobra em possibilidades. Não é à toa que Alvarenga, logo após ver a peça montada por Lilia, soprou-lhe no ouvido um promissor "vamos fazer o filme dessa história!". E que quando, quatro anos mais tarde, ao sair da pré-estreia do filme, o diretor de núcleo Jayme Monjardim tenha logo dito a Lilia e Alvarenga: "Vamos fazer um seriado com essa história!"

 

Ninguém duvidaria que Mercedes tinha potencial para ocupar todos os espaços, mas não há quem negue que o desempenho da peça (150 mil espectadores) e principalmente do filme (1,8 milhão de espectadores) deram o impulso necessário para o projeto do seriado sair do papel. "O seriado já parecia possível, e o sucesso nos cinemas foi mais um sintoma de que essa história poderia ser contada também na televisão", admite Monjardim. "E a audiência que o filme teve quando foi exibido na TV nos deu certeza de que o caminho era esse", completa Alvarenga, lembrando que a exibição rendeu 28 pontos à Globo no início de janeiro.

 

Por tudo isso, deve ser cada vez mais frequente a quebra de barreiras entre cinema e TV. "As mídias estão cada vez mais embaralhadas", anota Alvarenga. "O que havia antes era um preconceito entre cinema e televisão. Mas hoje eles caminham juntos."

Tudo o que sabemos sobre:
MercedesdivãtvCarrie Bradshaw

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.