Lixo hospitalar não deve ser incinerado, diz Ibama

O lixo hospitalar vindo dos Estados Unidos e apreendido na semana passada que tinha como destino uma empresa do polo de confecção do Agreste pernambucano não provoca apenas prejuízos econômicos e no campo da saúde. Os especialistas também apontam o risco que o material pode causar para o meio ambiente. Para o coordenador de Emergência Ambiental do Ibama Pernambuco, Gustavo Moreira, responsável pela operação que autuou a empresa que importava o lixo hospitalar americano, o material precisa ser devolvido aos Estados Unidos e não incinerado, como forma de evitar a contaminação da camada de ozônio.

AE, Agência Estado

20 de outubro de 2011 | 17h54

"A atuação do Ibama é no sentido de devolver as 46 toneladas do material apreendido nos contêineres aos Estados Unidos. Quanto aos cerca de 25 toneladas que encontramos e interditamos nas três unidades da empresa que importava o material, infelizmente não tem como devolver. A alternativa é contratar uma empresa especializada em incineração para que o procedimento seja feito com o mínimo de danos para o meio ambiente", explicou Moreira.

Segundo o especialista, a empresa já recebeu outros seis contêineres dos Estados Unidos de produtos com as mesmas características. Moreira explicou ainda que entre os objetos apreendidos estão botas, máscaras, lençóis e fronhas, alguns deles com resíduos de sangue, fezes e urina. Ao interditar a empresa pernambucana, o Ibama autuou as suas três unidades - Santa Cruz do Capibaribe, Caruaru e Toritama - em R$ 2 milhões cada pelos danos causados ao meio ambiente.

O navio que fez o transporte também está sendo multado em R$ 2 milhões. Por enquanto, ainda não é sabido o que vai acontecer com a empresa americana, já que os Estados Unidos não assinou a Convenção de Basileia, que estabelece mecanismos de controle transfronteiriço de resíduos perigosos e sua destinação, o que isenta o país de seguir as regras adotadas pelos demais países, incluindo o Brasil, que aderiram ao documento internacional.

"O que há é uma articulação via Itamaraty, Ministério das Relações Exteriores e agora governo de Pernambuco para que o material apreendido seja de fato devolvido e, de alguma forma, responsabilizar a empresa americana", finalizou Gustavo Moreira.

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