Lojas vão bancar desconto de IPI não prorrogado

Grandes redes vão segurar preços para produtos da linha branca que gastam mais energia até o fim dos estoques

Márcia De Chiara, O Estadao de S.Paulo

30 Outubro 2009 | 00h00

Grandes redes de varejo especializadas em eletrodomésticos e também os hipermercados decidiram manter o benefício da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre geladeiras, fogões e máquinas de lavar menos eficientes no consumo de energia até terminarem os estoques.

O governo prorrogou ontem a redução integral do IPI a partir de 1º de novembro até 31 de janeiro de 2010 apenas para os eletrodomésticos que levam o selo Procel classe A. Mas, como as lojas tinham comprado um volume maior de produtos temendo que o corte do IPI que acaba no dia 31 fosse retirado de todas as categorias, o varejo tem condições de bancar os preços menores para os itens que ficarão de fora da nova regra a partir de 1º de novembro.

O Wal-Mart, Carrefour, Casas Bahia, Lojas Insinuante, Extra e Ponto Frio, por exemplo, vão manter os preços sem IPI integral enquanto tiverem produtos comprados da indústria sem o IPI. A rede de hipermercados Wal-Mart calcula que terá produtos para bancar as promoções por cerca de um mês.

Ramatis Rodrigues, vice-presidente do Grupo Pão de Açúcar, que reúne as redes Extra e Ponto Frio, calcula que tem produtos já adquiridos para manter as promoções até o fim do ano.

"Eletrodomésticos com selo classe C representam muito pouco dentro da nossa empresa, cerca de 5% dos volumes ", afirma o diretor de relações com o mercado das Lojas Cem, Valdemir Colleone. A rede vai contratar 400 trabalhadores para reforçar as vendas até dezembro. Caso o corte do IPI não tivesse sido prorrogado, esse número cairia pela metade.

Rodolfo França Jr., diretor comercial das Lojas Insinuante, confirma que os produtos com selo classe C, que pagarão o IPI integral a partir de 1º de novembro, representam muito pouco no total das vendas. De toda forma, ontem o executivo tratou de cortar esses itens das novas compras. "Estamos revendo as compras." Depois do benefício do IPI em abril a rede recupera a queda nas vendas e teve crescimento de 18% ante o mesmo período de 2008. Com a prorrogação do corte do IPI vai contratar 200 trabalhadores para o fim de ano.

As Casas Bahia consideram a medida positiva, mas ressalvam que a redução do IPI deveria ser prorrogada por 120 dias, não apenas 90 dias como foi decidido pelo governo. A empresa argumenta que, com um prazo maior, a indústria teria condições de se adaptar às novas regras e enquadrar um número maior de produtos na classe A. Apesar de manter o IPI reduzido até os estoques terminarem, a direção da rede pondera que a população de menor renda não foi beneficiada pela nova regra do IPI. Segundo a empresa, os produtos classe C, mais consumidos pela baixa renda, ficarão mais caros comparativamente aos de classe A, que são comprados pelo mais ricos.

Rodrigues, do Grupo Pão de Açúcar, discorda dessa avaliação. Segundo o executivo, o parcelamento de longo prazo, sem juros, neutraliza essa alta de preço. No caso das compras feitas com o cartão Extra, o parcelamento é em até 15 vezes sem acréscimo, com a primeira parcela para janeiro do ano que vem.

A rede também vai oferecer um bônus de 5%, convertido em produtos, nas compras feitas até 2 de novembro. Para este fim de ano, o Grupo Pão de Açúcar vai contratar 4 mil trabalhadores. Se não tivesse ocorrido a prorrogação, esse número seria bem menor, diz o executivo.

NA MESMA

O presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alencar Burti, acha que a manutenção do corte do IPI para os eletrodomésticos mais eficientes é melhor do que a suspensão do benefício para todos os produtos. Na opinião do representante do varejo, a decisão do governo não terá impacto significativo nas vendas de fim de ano. Ele estima um crescimento de 5% a 6% nas vendas do Natal.

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