Londres 2012: A difícil tarefa de cronometrar milésimos de segundos

Empresa de tecnologia usará equipamento novo nos Jogos Olímpicos deste ano.

Michael Hirst, BBC

07 Maio 2012 | 13h27

A empresa de cronometragem Omega vai lançar nos Jogos Olímpicos de Londres 2012 a sua mais nova tecnologia, capaz de detectar com precisão o desempenho de cada atleta ao milésimo de segundo.

A cronometragem de atletas passou por diversas revoluções desde as Olimpíadas de 1936 em Berlim, quando um técnico com 27 cronômetros foi responsável por supervisionar todos os tempos.

Em Londres, serão 450 profissionais dedicados à tarefa, com ajuda de 800 voluntários especialmente treinados. No total, os Jogos usarão 420 toneladas de equipamentos, o que inclui 390 placares e 180 quilômetros de cabos.

Em competições olímpicas, medalhas podem ser ganhas em uma fração mínima de tempo. A disputa mais visada pelos técnicos é a de 100 metros rasos do atletismo masculino.

'Anos-luz'

Alan Bell, que será responsável pelo tiro de largada da prova, conta que houve muita evolução técnica desde que ele começou a se envolver com o assunto, nos anos 80, quando ainda se usava cronômetros de bolso.

"A cronometragem de corridas percorreu anos-luz desde então", disse ele à BBC. Mais antigos ainda são os tempos em que se usava uma fita para determinar o vencedor. A última olimpíada em que isto foi usado foi a de Londres - em 1948.

Em 2012, a pistola usada para o disparo será um modelo eletrônico e totalmente integrado ao sistema de contagem do tempo. A tecnologia é capaz de detectar movimentações 40 vezes mais rápidas do que um piscar de olhos.

O disparo envia uma corrente elétrica a placas de pressão na pista - que detectam qualquer movimento que pode acusar uma possível queimada da largada.

O som do disparo é amplificado por caixas de som colocadas próximas ao corredor. É importante que cada atleta consiga ouvir o som ao mesmo tempo, para que nenhum deles tenha vantagem na largada em relação aos demais.

Na parte final da prova, um laser é projetado na linha de chegada. Quando o atleta vencedor cruza a chegada, essa informação é enviada ao sistema que marca o tempo do atleta. Isso é sincronizado com uma câmera digital de alta velocidade, que também pode ser usada na hora de se decidir o vencedor.

Um sistema semelhante é usado no ciclismo de pista. O pneu dianteiro carrega um transponder, dispositivo que emite códigos de localização da bicicleta. Na natação, placas sensíveis ao toque ajudam a marcar o momento em que os atletas encostam na beira da piscina.

Bell, que é ex-atleta, diz que já teve grandes momentos em sua carreira como técnico de cronometragem. Foi ele quem deu o tiro inicial no Mundial de Atletismo de 2010, em Berlim, quando Usain Bolt bateu o recorde dos 100m rasos.

Também foi dele o disparo na Coreia do Sul, no ano passado, que ficou famoso pela queimada de largada do próprio Bolt.

Mas Bell afirma que o ápice da sua carreira serão os Jogos de Londres 2012. Ele afirma que hoje em dia a cronometragem não é importante apenas para corridas de curto percurso. Em Atenas 2004, a corrida feminina de 800 metros foi decidida em centésimos.

Batendo o relógio

A tecnologia impossibilita que atletas consigam enganar o cronômetro, mas existem alguns fatores que colaboram para melhorar o desempenho em largadas e chegadas.

O psicólogo Costas Karageorghis, que trabalha com atletas britânicos, disse que a grande presença de torcedores locais estimula a reação motora dos competidores. Em outras palavras, em Londres 2012, os atletas britânicos podem ter uma pequena vantagem, pois estariam com os sentidos mais aguçados na hora da largada.

Karageorghis também acredita que é possível "antecipar-se" ao tiro de largada ao estudar com cuidado a reação dos demais competidores segundos antes do começo da prova.

No entanto, Alan Bell discorda que seria possível prever quando o tiro será dado através de uma "leitura" dos demais competidores.

Na chegada, a técnica mais conhecida é jogar o corpo para frente. Manter o braço totalmente estendido na chegada, em vez de colado ao corpo, também pode ajudar a decidir finais de provas.

Na natação, os atletas costumam "boiar" em direção à beira da piscina nos últimos segundos da prova, para conseguirem encostar mais rápido na placa que detecta o toque do nadador.

Se ele tentar continuar nadando, levantando o braço para um novo movimento, pode demorar mais tempo até atingir a placa, o que pode - em casos extremos - lhe custar uma medalha. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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