Londres-2012: o grande show da tecnologia

Além do espetáculo esportivo incomparável, o mundo assistirá a um impressionante show de tecnologia nos Jogos Olímpicos de Londres de 2012. Para realizar esse evento, o Reino Unido está investindo nada menos que £ 9,3 bilhões - equivalentes a US$ 15,4 bilhões ou R$ 26,7 bilhões - em novos estádios, parques, conjuntos residenciais, hotéis, empresas de serviço, lazer, transportes, segurança, computação e comunicações.

Ethevaldo Siqueira, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2009 | 00h00

Em entrevista exclusiva concedida ao Estado, há poucos dias, via telepresença, dois diretores da British Telecom (BT) descreveram o projeto que envolve a integração total entre redes fixas e móveis, com a maior infraestrutura de fibras ópticas já instalada em uma região metropolitana no mundo, serviços convergentes de banda larga, internet a 30 Megabits por segundo (Mbps), TV digital de alta definição (HDTV) e 3D, satélites e inovações que mais parecem ficção.

Patrocinadora da Olimpíada de Londres, com cota de £ 83 milhões (mais de R$ 237 milhões), a BT faz sigilo sobre o total dos investimentos que faz na nova infraestrutura de telecomunicações e TI - talvez algo próximo de £ 4 bilhões (R$ 11,5 bilhões), segundo estimam alguns analistas.

Após vencer a licitação internacional para prover todos os serviços de comunicações e TI, em 2005, a BT decidiu usar a oportunidade única da Olimpíada de 2012 para lançar o máximo de inovações, mas com a maior confiabilidade possível.

"Além de contar com moderna infraestrutura de telecomunicações espalhada pelo Reino Unido, a BT está implantando uma rede especial, exclusiva para prover a demanda de serviços gerada pela Olimpíada de 2012, com 80 mil terminais para interligação de 94 diferentes locais vinculados ao evento, tais como estádios, conjuntos habitacionais e instalações olímpicas" - diz Stuart Hill, vice-presidente e diretor do programa para a Olimpíada de Londres-2012.

Essa rede interconectará as instalações e locais olímpicos por meio de uma infraestrutura de 4,5 mil quilômetros de cabos (coaxiais e de fibras ópticas), 16,5 mil linhas telefônicas e 14 mil chips (Sim cards) para celulares. Centenas de telões mostrarão flashes das provas olímpicas em toda a cidade.

Cerca de 25 mil jornalistas que deverão cobrir a Olimpíada terão à disposição mais de mil pontos de acessos sem fio, para celulares avançados (smartphones), via redes 3G, Wi-Fi e WiMax. Essa infraestrutura servirá também às centenas de milhares de visitantes que poderão acompanhar as provas e jogos, ao vivo, em seus laptops e celulares mais avançados.

Até uma central de segurança da internet contra ataques de hackers foi planejada para as quatro semanas da Olimpíada, bem como dos Jogos Paraolímpicos, que se realizam no mês de setembro de 2012. Em dezenas de pontos de Londres haverá telões de grandes dimensões e HDTV que mostrarão os principais momentos dos jogos e provas olímpicas.

Paul Excell, diretor de inovações e responsável pelo investimento da BT em pesquisa e desenvolvimento, explica que a rede olímpica será capaz de transportar 6 Gigabits por segundo (Gbps) de informação, volume de dados equivalente ao conteúdo de 6 mil livros ou de 170 CDs de música, em apenas um segundo.

Tudo mudará com o legado de telecomunicações da Olimpíada, a partir de 2012: o usuário britânico poderá ter um novo telefone fixo instalado em apenas algumas horas. Hoje, o prazo de instalação é de uma semana. Todos os benefícios de uma rede de padrão IP (o protocolo da internet) estarão disponíveis para a população britânica. Uma nova rede de fibras ópticas interconectará todas as escolas e hospitais do país, com a possibilidade de comunicações de centenas de megabits por segundo.

DE PEQUIM AO RIO

A BT enviou quase uma centena de especialistas à China para acompanhar tudo que o país fazia na preparação da Olimpíada de Pequim, em 2008, em especial na área de telecomunicações e de tecnologia da informação. A empresa fará o mesmo acompanhamento da tecnologia dos Jogos Olímpicos de Inverno, em 2010, em Vancouver.

Na opinião dos diretores da BT, seria altamente desejável que os responsáveis pelas Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016, acompanhassem de perto tudo que se faz no Reino Unido, especialmente na área de telecomunicações, para planejar a infraestrutura e a tecnologia que serão exigidas no evento no Brasil.

A TORRE QUE RENASCE

O símbolo mais visível do evento em Londres é hoje a torre de telecomunicações da BT, inteiramente reformada, visível de qualquer ponto da capital britânica.

Conhecida popularmente como BT Tower, ela foi reinaugurada na noite de 31 de outubro deste ano com um show pirotécnico de quase meia hora, para marcar a contagem regressiva dos dias que faltam para o início dos Jogos Olímpicos, com imagens e textos exibidos no anel giratório de LCD de 3 metros de largura, iluminado por diodos emissores de luz (LEDs).

Mais informações sobre a tecnologia das Olimpíadas de Londres-2012 no site www.ethevaldo.com.br

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