Longe do tango de uma uva só

A Malbec venceu. Começou como uva símbolo da vinicultura argentina, cerca de 30 anos atrás, foi ficando conhecida e dominou o cenário de vinhos do país. Recente artigo no New York Times dizia que se tornara a queridinha dos americanos, e já faz um tempo conquistou os corações e bocas brasileiros. Então, viajar a Buenos Aires com o desafio autoimposto de achar algo diferente é complicado. Mesmo porque eu gosto de Malbec, principalmente no seu estilo mais elegante, como alguns dos melhores vinhos de Catena Zapata.

Luiz Horta, O Estado de S.Paulo

22 Julho 2010 | 02h53

Vinhos Malbec há para todo gosto, desde as potentes, megaextraídas e frutadas versões com muita madeira nova (que poderíamos apelidar de supermendocinos) até as mais sutis. Tem Malbec menos aromático e bem sério das alturas de Salta e os mais equilibrados em acidez natural (coisa raríssima no país, que precisa corrigir o ácido tartárico de todos os vinhos) das lonjuras da Patagônia.

Foi uma viagem curta, mas cheia de encantamentos. Primeiro mergulhei em mares conhecidos, os Montchenots das Bodegas López, estilo atemporal. Outro velho conhecido, o Weinert Chardonnay, estava um pouco cansado nos seus dez anos de idade, bem oxidado.

Depois, as novidades. Um Jerez feito pela mesma Bodegas López. Não é Jerez, claro, nem mesmo poderia usar o nome, mas tem características parecidas com o vinho andaluz e é um bom aperitivo, a 24 pesos (R$ 12) a garrafa. Zuccardi, que já tinha lançado seu Malamado (Malbec a la manera del Oporto), um fortificado de Malbec, e depois uma versão branca, feita de Viognier, apareceu com um Malamado Dry, que também lembra Jerez.

Negando que os vinhos argentinos não possam evoluir na garrafa, bebi um Gewürztraminner com respeitáveis 14 anos de idade, cor amarelo-ouro, nariz muito complexo e vivo. A decepção foi a Cabernet Franc: diversos vinhos provados, nenhum com tipicidade. E conheci duas bodegas de que nunca tinha ouvido falar: Viña El Cerno e Familia Cecchin. Este último foi o ponto mais alto dos vinhos provados.

O melhor foi descobrir jovens sommeliers ávidos por montar cartas pessoais, com personalidade, longe da facilidade que seria listar os grandes nomes. Eles me apresentaram os vinhos mais instigantes. Há mais coisa acontecendo na Argentina que a profusão de Malbecões pesados.

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