Lua pulverizada pode explicar anel misterioso de Saturno

A existência do anel G é um mistério dentro do mistério maior, o do sistema de anéis como um todo

Carlos Orsi, estadao.com.br

02 de agosto de 2007 | 15h18

A origem dos anéis de Saturno continua a ser um mistério, mas pelo menos um deles - e um dos mais misteriosos - agora tem fonte conhecida: dados da sonda Cassini sugerem que o anel G é criado continuamente a partir de material que "transborda" do que podem ser os restos de uma pequena lua gelada, que quando intacta teria tido cerca de 100 metros de diâmetro.    A hipótese é apresentada na edição desta semana da revista Science.   No artigo, os pesquisadores apontam a descoberta de um trecho especialmente brilhante da borda interior do anel. Eles especulam que esse trecho conteria os restos da lua.   "O arco aparentemente  contém uma coleção de objetos com centímetros e até metros de diâmetro, e o brilho vem de poeira que salta desses objetos", explica o principal autor do trabalho, o astrônomo  Matthew M. Hedman, da Universidade Cornell. A poeira que é expelida para fora do trecho brilhante pelas colisões constantes daria origem ao restante do anel.   A existência do anel G é uma espécie de mistério, dentro do mistério maior da origem do sistema de anéis como um todo.   Ele não conta com uma "lua pastora", como são chamados os satélites de Saturno que exercem a influência gravitacional que mantêm alguns dos anéis no lugar, e fica numa região onde é constante o bombardeio por partículas aceleradas pelo campo magnético do planeta. O choque com essas partículas representa uma erosão constante, que a princípio deveria eliminar de vez o anel.   Mas se o anel como um todo não tem uma "lua pastora", o trecho brilhante parece girar em cadência com um dos satélites de Saturno, Mimas.   Uma questão que fica é: se arco brilhante realmente é a fonte do material do anel, quanto tempo ele levará para se esgotar?   "É uma questão muito interessante, que ainda estamos tentando resolver", diz Hedman. "Não gostaria de citar números, mas não esperamos que o anel desapareça enquanto ainda estivermos vivos".   O anel G é uma descoberta relativamente recente: foi detectado pela sonda Pioneer 11, da Nasa, no final dos anos 70.

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