Lucro da Petrobras no 2o tri cai 20%, para R$7,73 bi

O lucro líquido da Petrobras no segundo trimestre caiu 20 por cento na comparação com igual período do ano passado, para 7,73 bilhões de reais, devido, principalmente, à queda do preço do petróleo e de seus derivados no mercado internacional.

RODRIGO VIGA GAIER, REUTERS

14 Agosto 2009 | 21h02

A estatal registrou ganhos antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de 17,51 bilhões de reais no período, ante 18,63 bilhões no segundo trimestre de 2008.

Analistas consultados pela Reuters esperavam um lucro líquido de 6,97 bilhões de reais e um Ebitda de 14,49 bilhões de reais.

A receita operacional líquida da petroleira brasileira ficou em 44,6 bilhões de reais no trimestre encerrado ao final de junho, também 20 por cento abaixo do número em igual período do ano passado.

Segundo a empresa, o valor médio do petróleo Brent ficou em 52 dólares durante o primeiro semestre do ano, ante 109 dólares o barril nos primeiros seis meses de 2008, tendo forte influência no resultado da companhia.

"No ano passado o lucro era bastante maior porque o volume de demanda global (por petróleo) estava muito mais próximo da capacidade de oferta, e aí os preços chegaram à estratosfera de mais de 140 dólares", disse a jornalistas o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, durante o anúncio do resultado trimestral.

"Estamos nos recuperando e os preços do petróleo refletem esse movimento de melhoria, além do mercado doméstico, que respondeu. O cenário é positivo", acrescentou Barbassa.

A empresa também fez referência à variação cambial no primeiros semestre. Como a petroleira possui muitos ativos fora do país, a alta do real ante o dólar reduz o valor deste patrimônio em moeda local.

"O resultado financeiro negativo, fruto dos maiores volumes de financiamentos, das operações de hedge comercial e da variação cambial sobre ativos no exterior, também contribuiu para esse resultado", informou a companhia em comunicado enviado ao mercado, referindo-se ao lucro 20 por cento inferior.

Segundo Barbassa, a desvalorização do dólar impactou negativamente o balanço da empresa em quase 2,5 bilhões de reais, mas ele afirmou que boa parte dessa perda foi compensada pelo uso dos estoques formados a preços menores.

"Esse foi um dos fatores que ajudou a melhorar o resultado (ante o primeiro trimestre). Usamos estoques formados no primeiro trimestre a preços menores", disse Barbassa.

BOM ANTE 1o TRI

A Petrobras ressaltou a melhora do desempenho na comparação com o primeiro trimestre do ano, com crescimento de 33 por cento no lucro líquido.

"A elevação da produção, a recuperação dos preços do petróleo (do primeiro para o segundo trimestre) e seu reflexo sobre as exportações e a redução das despesas operacionais contribuíram preponderantemente para esse resultado", disse a companhia.

A produção total de petróleo e gás da companhia subiu 2 por cento ante o primeiro trimestre e 6 por cento no acumulado do primeiro semestre, ante igual período do ano passado, para 2,52 milhões de barris/dia.

"O aumento na produção das plataformas P-52 e P-54 (Roncador), aliado à entrada em operação das plataformas P-53 (Marlim Leste) e P-51 (Marlim Sul), superaram o declínio natural dos campos maduros", disse a empresa.

Barbassa garantiu que a meta de 2009 de produção de 2,05 milhões de barris diários (considerando apenas Brasil) será atingida, com margem de erro de 2,5 por cento para mais ou para menos.

"Várias plataformas como P-51, P-53 e Cidade de Niterói estão em processo de crescimento na produção e, ainda há outras unidades como Parque das Conchas e Frade (onde a estatal não é operadora) que vão também ampliar a operação", afirmou o executivo, ao destacar que a exportação da estatal deve superar as expectativas previstas para este ano.

Barbassa ainda anunciou que o Conselho de Administração da Petrobras aprovou a troca no comando da subsidiária BR Distribuidora. O atual presidente José Eduardo Dutra vai deixar a estatal para disputar as próximas eleições. Seu substituto será o secretario-executivo de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, José Lima Neto.

"Está confirmada a mudança na BR e por enquanto é a única de que tenho conhecimento", disse Barbassa.

Lima Neto comandou anteriormente a Petroquisa, outra subsidiária da Petrobras na área petroquímica.

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