Lucro da Vale cresce no 3o tri, mas mercado teme futuro

A Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, deverá apresentar nesta quarta-feira um lucro líquido da ordem de 6,49 bilhões de dólares referente ao terceiro trimestre, de acordo com pesquisa da Reuters realizada junto a nove analistas de mercado.

SABRINA LORENZI E BRIAN ELLSWORTH, REUTERS

25 Outubro 2011 | 16h22

O valor equivale a um crescimento de 7,5 por cento no lucro líquido em relação ao mesmo período do ano passado, impulsionado por aumentos na produção e no preço do minério de ferro nesta comparação.

Na comparação com o trimestre anterior, as mudanças no mercado e a volatilidade recente dos preços são mais visíveis no resultado da mineradora. O lucro em relação ao segundo trimestre deve crescer apenas 0,6 por cento, numa clara desaceleração do seu resultado.

Nas últimas semanas o minério de ferro amargou queda brusca nos preços, provocada principalmente pela perspectiva de desaceleração da economia chinesa. Preços do minério no mercado à vista recuaram 27 por cento desde agosto, para 131,7 dólares a tonelada. A China até então sustentou a demanda do produto a despeito da crise na Europa e nos Estados Unidos.

Por outro lado, a valorização do dólar frente ao real no período deve contribuir para alavancar os resultados operacionais da companhia, esperam analistas.

"O dólar mais forte se traduz em vantagem de custo para a acompanhia", diz o analista Rogério Zarpao, da Safra Corretora.

Segundo Zarpao, o dólar forte ajudou a geração de caixa da Vale a atingir nível recorde no terceiro trimestre.

A pesquisa da Reuters revela que o Ebitda (ganhos antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) deve registrar 10,38 bilhões de dólares, num aumento de 17,7 por cento em comparação ao terceiro trimestre do ano passado, segundo a mediana das projeções.

"É na geração de caixa que o mercado vai focar, um resultado mais livre de efeito contábil", acrescentou Zarpao.

O dólar forte também deve incrementar a receita líquida da companhia registrada em reais. De julho a setembro, a Vale teria acumulado receita líquida de 16,578 bilhões de dólares, segundo a pesquisa da Reuters.

Por outro lado, o dólar pode afetar um pouco o resultado da companhia no que diz respeito ao seu endividamento em moeda norte-americana.

O analista Marcos Assumpção, do Itau BBA, disse que o mercado vai olhar para a execução dos investimentos da Vale, que tem ficado abaixo da meta, e a expectativa da empresa para o minério de ferro nos próximos meses. "A coisa mais importante é a visão da companhia sobre o que vai acontecer com o mercado de minério de ferro no quarto trimestre", afirmou.

TURBULÊNCIA

Analistas estimam que o mercado deve continuar instável nos próximos meses, com preço médio do minério abaixo do valor praticado em 2011.

As grandes mineradoras têm ajustado a maneira de negociar o produto, em meio à queda no mercado à vista.

"A Vale tem uma fórmula (de venda), mas se alguém quiser comprar em uma situação diferente, é discutível", disse a jornalistas recentemente o presidente da Vale, Murilo Ferreira. "Alguns clientes querem comprar de outra forma e será feito. (Mas) a fórmula trimestral permanece", acrescentou.

A Vale também teria eliminado uma cláusula dos contratos trimestrais que previa a manutenção dos valores se a variação de trimestre para trimestre fosse inferior a 5 por cento.

Siderúrgicas chinesas disseram ter recebido da Vale outras opções para definir o preço de compra do minério, já que a fórmula tradicional, uma média de preços em três meses passados, falhou em refletir a rápida mudança nos valores do minério no mercado.

Já a mineradora australiana BHP Billiton estaria apoiando o desenvolvimento de uma nova plataforma de precificação de preços de minério de ferro -- batizada de GlobalOre. O novo modelo prevê uma espécie de leilão eletrônico, pelo qual o processo de compra e venda se dará de maneira mais dinâmica, mudando os valores com frequência.

A realização de leilões, segundo especialistas, pode tornar os preços bem mais suscetíveis à conjuntura econômica -- que não está favorável para as mineradoras neste momento.

O modelo atual, liderado pela Vale, de contratos trimestrais, preservou as vendas das oscilações diárias do mercado, até agora.

(Com reportagem adicional de Guillermo Parra-Bernal; Edição de Marcelo Teixeira)

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