Lugo tem filha de 22 anos, diz sobrinha

Nova denúncia eleva a quatro o número de filhos atribuídos ao presidente paraguaio; ele assumiu apenas um

Ariel Palacios, CORRESPONDENTE, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

25 de novembro de 2009 | 00h00

Uma sobrinha do presidente do Paraguai, o ex-bispo Fernando Lugo, desatou ontem um novo escândalo no país ao afirmar que o chefe de Estado teria uma filha de 22 anos, além do menino - Guillermo Armindo, de 2 anos - que ele reconheceu como seu e das outras duas crianças cuja paternidade é atribuída a ele.

Mirtha Maidana, sobrinha de Lugo, declarou que o presidente participou no final de semana do casamento de sua filha e não de uma sobrinha, como a imprensa publicou. "Demorou 22 anos para se saber a verdade. É uma pena que seja eu novamente quem tenha de desmentir uma suposta prima que não existe", disse Mirtha, que se afastou do tio em agosto, quando o presidente lamentou em público: "Parentes a gente não escolhe!" Ela é filha da poderosa Mercedes, que ocupa a função de primeira-dama já que o irmão é solteiro.

Os assessores de Lugo negaram enfaticamente as declarações de Mirtha. Representantes dos partidos da oposição aproveitaram o novo escândalo - o quarto sobre os supostos filhos do ex-bispo - para especular sobre um eventual pedido de impeachment do presidente.

Lugo, que até dois anos atrás ainda exercia a função de bispo, teria tido um caso há mais de duas décadas com Teresita de María Rojas, atualmente com 55 anos. O fruto do romance teria sido Fátima Rojas.

O novo escândalo de Lugo é apimentado pelas denúncias da imprensa em Assunção, segundo as quais o suposto genro do presidente, Luis Paciello, foi designado assessor da hidrelétrica de Yaciretá - operada por Paraguai e Argentina - sem realizar concurso.

A celebração do casamento de Fátima foi definida pelos colunistas sociais como uma "festa de arromba". Lugo participou do casamento como convidado especial. Na ocasião, a oposição denunciou o luxo excessivo de um casamento de uma sobrinha de Lugo.

Segundo Mirtha, quando Fátima era uma criança brincava com seus filhos. "Sempre houve uma relação muito familiar. A verdade é que era um "segredo conhecido", não somente na família Lugo Méndez, mas também na família dessa jovem." Mirtha disse à imprensa que a mãe de Fátima, Teresa, "sempre acompanhou" Lugo. Depois, ironizou: "Não sei se dá para acreditar em uma amizade assim entre um homem e uma mulher..."

Mirtha fez duras críticas ao tio: "Ele deixou filhos por todos os lados... e não os reconheceu." Ela também desafiou: "Que ele faça um exame de DNA. Se não for filha dele, apresento-me perante a Justiça para cumprir pena por difamação e calúnia."

O dia foi turbulento para Lugo, pois seus assessores também iniciaram ontem os trâmites na Justiça para rejeitar a demanda sobre o terceiro suposto filho, Juan Pablo, de 2 anos, filho de Hortensia Morán, de 40 anos. Ela quer que seu filho possa usar o sobrenome do presidente.

Além disso, Benigna Leguizamón, mãe de um menino de 6 anos que ela assegura ser filho de Lugo, disse que ela também sabia que Fátima Rojas era filha de seu ex-amante.

Benigna, de 27 anos, processou o presidente, exigindo um teste de DNA, ao assegurar que seu filho nasceu quando trabalhava como faxineira na diocese de San Pedro, onde Lugo foi bispo entre 1994 e 2006.

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