Lula admite retração econômica após queda da indústria

Ao comentar a queda recorde da produção industrial em dezembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu nesta terça-feira que a economia brasileira deve passar por um período de retração. "Eu acho que a pesquisa industrial em dezembro, mais do que em outros meses, sempre cai mais. Eu trabalho com a hipótese de que nós poderemos ter uma retração na economia brasileira, mas não acredito que o Brasil sofra o mal que estão sofrendo os países desenvolvidos", disse Lula a jornalistas. Em dezembro, a indústria brasileira sofreu a queda mais acentuada da produção já registrada, reflexo da retração da demanda em meio à crise financeira mundial. A queda foi de 12,4 por cento em dezembro na comparação com novembro e de 14,5 por cento em relação a dezembro de 2007. O presidente também previu dificuldades neste primeiro trimestre do ano. "Nos meses de janeiro, fevereiro e março a gente pode ter alguns problemas, mas estou convencido que, se tem algum país no mundo preparado para a economia se recuperar mais rapidamente, este país é o Brasil", acrescentou em cerimônia de anúncio de recursos na favela Dona Marta, no Rio de Janeiro. Ele explicou que o recente aporte federal no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de 100 bilhões de reais destinado a empréstimos ao setor privado, as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o plano de investimentos da Petrobras vão manter a economia em atividade. "Estou convencido que no decorrer do ano, parte do prejuízo que tivemos em dezembro será compensado", afirmou. O presidente confirmou, sem detalhar, que vai incluir os investimentos do pré-sal no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). "Vamos manter o calendário de investimentos da Petrobras. Quem estiver apostando que o Brasil vai quebrar, vai quebrar a cara", declarou. Sobre o novo recorde de avaliação de seu governo medido pela pesquisa CNT/Sensus, disse apenas que "retrata o momento político que estamos vivendo". A sondagem mostrou que a avaliação positiva do governo saltou para 72,5 por cento, recorde do instituto, enquanto o desempenho pessoal do presidente foi aprovado por 84 por cento. Lula disse ainda que recebeu com naturalidade a eleição de Michel Temer (PMDB-SP) para a presidência da Câmara e de José Sarney (PMDB-AP), no Senado. Chamou o partido de parceiro e disse que tem bom relacionamento com os dois parlamentares. "Tenho a melhor relação do mundo com Sarney e Temer", disse. Antes, Lula foi à favela de Manguinhos inaugurar uma escola, onde prometeu a construção de 500 mil casas populares. (Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

REUTERS

03 de fevereiro de 2009 | 16h56

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