Lula condena críticas ao desmatamento da Amazônia

Para o presidente, pressão internacional contra a destruição da mata é disputa comercial desleal

LEONENCIO NOSSA, Agencia Estado

19 de novembro de 2007 | 14h02

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva atribuiu a uma "disputa comercial que não é leal" as críticas de que o Brasil está desmatando a Amazônia. Em encontro com empresários alemães e brasileiros, em Blumenau (SC), Lula defendeu a idéia de que países desenvolvidos financiem países pobres para reduzir o desmatamento.    'Amazônia está sufocando', afirma Ban Ki-moon  Desmatamento e queimadas na Amazônia   "Existe uma disputa comercial que não é leal e está se espalhando pelo mundo. Quero dizer aos empresários alemães que ninguém tem mais preocupação de preservar a Amazônica do que nós, brasileiros", afirmou.   Ele disse que pretende apresentar nos próximos encontros e fóruns internacionais proposta em que os países ricos que contribuem mais com a emissão de gases que causam o efeito estufa financiem os mais pobres, que não contribuem com os mesmos níveis de emissão.   Lula negou que o governo brasileiro esteja incentivando a produção de cana e biocombustível na Amazônia. "Agora, por favor, não levem em conta que a obrigação seja só dos países mais pobres", disse, numa referência à ação para combater o efeito estufa.   Para o presidente, há duas formas de os países desenvolvidos darem a sua contribuição para o combate ao efeito estufa. A primeira delas é a redução da emissão de gases, o que, na sua avaliação, é muito difícil. A outra alternativa, destacou, é o financiamento aos países pobres.Brasil x AlemanhaO ministro de Economia e Tecnologia da Alemanha, Michael Glos, demonstrou ter ouvido atentamente as palavras do presidente e chegou a bater palmas em alguns trechos do discurso. Pouco antes de Lula falar, Michael Glos chegou a brincar afirmando que era a vez de Brasil e Alemanha na final. Lula, por sua vez, disse esperar o apoio da Alemanha, que realizou a Copa de 2006, no processo de organização da Copa de 2014.   Lula lembrou que o jogador brasileiro Diego, que joga no futebol alemão, foi convocado para a seleção brasileira mas, por decisão do técnico Dunga, no jogo de ontem contra a seleção do Peru, ficou no banco de reservas. "Foi por isso que o Brasil só empatou", justificou.   No seu discurso de improviso, Lula não comentou sobre as negociações no Congresso para aprovar a emenda que prorroga a CPMF até 2011. O presidente disse que o País precisa fazer reformas, defendendo especialmente maior investimento na área de educação. "Sem investimentos em educação, deixaremos de fazer um vôo de pássaro que quer ser gigante para fazer um vôo de uma galinha", afirmou.   "Definitivamente, o País vive um momento que considero de bom para ótimo", completou. O presidente já deixou o pavilhão onde ocorre o encontro entre empresários brasileiros e alemães. Lula embarca no início da tarde para Brasília.

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