Lula critica embargo europeu à carne brasileira

Presidente vai sugerir à Câmara a formação de uma comissão de deputados para ir até o Parlamento europeu discutir a questão

31 de janeiro de 2008 | 08h15

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta sexta-feira, 1º, a decisão da União Européia (UE) de suspender, por pressão da Irlanda, a importação de carne bovina brasileira. "Eles têm a (doença da) 'vaca-louca' e ficam dando palpite aqui", reclamou o presidente, em um encontro com o governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), e pecuaristas desse Estado, no Palácio do Planalto. A declaração do presidente foi ouvida por fotógrafos e cinegrafistas que tiveram acesso a uma parte da audiência. Lula disse que vai sugerir ao presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), a formação de uma comissão de deputados para ir até o Parlamento europeu discutir a questão do embargo. Lula contou que, ao receber, em novembro de 2004, a visita do presidente russo, Vladimir Putin, lhe mostrou um mapa do Brasil e explicou que há uma enorme distância entre a área de Mato Grosso do Sul onde havia aftosa e a parte do Estado do Pará onde se cria o gado cuja carne é exportada para a Europa. Lula fez isso para mostrar que a suspensão da importação de todas as carnes brasileiras por Estados europeus é um erro baseado em desinformação. Guerra de números Por uma seqüência de negligências do governo brasileiro e confusão burocrática, a carne bovina nacional está suspensa do mercado europeu por tempo indeterminado. A União Européia (UE) não aceitou a lista de 2,6 mil fazendas apresentada pelo governo, que receberia o sinal verde para exportar carne ao principal mercado mundial. Uma nova missão da UE será enviada em 25 de fevereiro ao País, mas o Itamaraty já prevê a interrupção do comércio pelo menos por dois meses, mesmo que o problema não seja a qualidade da carne, e sim a incapacidade do País de seguir as recomendações dos importadores. Depois de dois anos de debates e de várias oportunidades dadas pelos europeus para que o Brasil colocasse seu sistema de rastreamento de gado em ordem, Bruxelas anunciou em dezembro que o País teria até hoje para enviar uma lista de propriedades que atendessem às exigências sanitárias da UE. Pelos cálculos dos veterinários europeus, apenas 3% das fazendas brasileiras poderiam estar nessas condições - cerca de 300 propriedades. Entre as exigências, constam a necessidade de comprovação de que o gado estava há mais de 40 dias na propriedade e mais de 90 dias em um Estado livre da febre aftosa. Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo já estão fora da lista por causa da aftosa detectada há dois anos. Mas o governo, sem coordenar a lista entre os Estados, enviou em partes a relação com as 2,6 mil fazendas. Só o Estado de Minas Gerais preparou uma lista de 1,3 mil e encaminhou ao governo federal no último sábado. A Europa se recusou a publicar a lista em seu diário oficial, embora a Comissão admita que não se trata de uma ameaça à saúde dos consumidores e, sim, de uma suspensão técnica.

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