Lula critica ONU e quer Brasil mediando paz em Gaza

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta terça-feira o desempenho da Organização das Nações Unidas (ONU) nas negociações de paz no Oriente Médio, e afirmou que pretende reforçar a participação do Brasil na mediação do conflito. Israel e o Hamas voltaram a entrar em conflito na Faixa de Gaza depois que o grupo palestino disparou foguetes contra o território israelense. Israel revidou com pesado bombardeio, que, segundo autoridades médicas, deixou 348 mortos, incluindo civis e crianças. Do outro lado da fronteira, três civis israelenses e um soldado foram mortos. "O que está provado é que a ONU não tem coragem de tomar uma decisão de colocar a paz naquilo lá e não tem coragem por que os Estados Unidos têm o poder de veto e, portanto, as coisas não acontecem", disse Lula durante discurso na inauguração do parque Dona Lindu,, em Recife. O presidente contou que telefonou ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e pediu para que ele entrasse em contato com o primeiro ministro francês a fim de convocar uma reunião de emergência sobre o conflito. "Penso que nós do Brasil vamos trabalhar para fazer um esforço muito grande junto aos outros países para ver se a gente encontra um jeito para aquele povo parar de se matar e parar de se violentar", acrescentou. Para o presidente, o modelo em que apenas os EUA intermediavam as negociações entre palestinos e israelenses também fracassou. "Não pode apenas os EUA ficarem negociando, porque eles já provaram que não dá certo." Lula reprovou o radicalismo do Hamas e também o uso desproporcional da força militar por parte de Israel. O presidente fez algumas considerações sobre o acirramento do conflito. Segundo Lula, o avanço das tropas israelenses pode ter sido motivado por questões políticas, já que haverá eleições em Israel no ano que vem. Lula lembrou que, amparado por pesquisas de opinião pública que demonstravam o apoio do eleitorado americano a uma eventual guerra contra o Iraque, o presidente George W. Bush decidiu atacar e conseguiu se reeleger. "Se alguém está fazendo essa guerra por conta de eleição, é um erro", condenou. Lula também disse que o Ministério da Defesa de Israel pode ter antecipado seus planos para evitar um eventual veto à operação pelo presidente eleito dos EUA, Barack Obama, que tomará posse no dia 20. "Também é uma coisa que não é correta." REUNIÃO E AJUDA HUMANITÁRIA Amorim já telefonou ao chanceler francês, Bernard Kouchner. Segundo a assessoria de imprensa do Itamaraty, o ministro das Relações Exteriores recebeu o apoio do colega para realizar a reunião sugerida por Lula, a qual teria como co-anfitriões Brasil e França. De acordo com a chancelaria brasileira, ainda não estão definidos o local, a data e os participantes do encontro. Mesmo assim, Amorim ligou depois para o chanceler do Egito, Ahmed Abul Gheit, e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, para conversar sobre o tema. Ainda segundo o Itamaraty, ambos concordaram com a necessidade de se realizar a reunião emergencial e de um cessar-fogo imediato. No início do mês, quando foi a Genebra, Amorim se encontrou com Abbas e tratou com o presidente palestino sobre a importância de um encontro multilateral para promover as negociações de paz no Oriente Médio, idéia que voltou à agenda depois do recrudescimento do conflito entre Israel e o Hamas. O Itamaraty revelou também que recebeu do embaixador palestino no Brasil, Ibrahim Mohamed Khalil Alzeben, uma lista com os medicamentos que estão faltando em Gaza. O Ministério das Relações Exteriores informou que providenciará o mais rapidamente possível a ajuda humanitária, que virá dos estoques do Ministério da Saúde e será enviada à região do conflito. (Reportagem de Fernando Exman)

REUTERS

30 Dezembro 2008 | 19h46

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