Lula critica países que não cumprem Protocolo de Kyoto

Para o presidente, o desafio ambiental é conciliar demanda de produção de alimentos com conservação

LEONENCIO NOSSA, Agencia Estado

21 Fevereiro 2008 | 15h06

Em discurso no Fórum de Legisladores sobre Mudanças Climáticas, no Palácio do Itamaraty, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou os países ricos que costumam não cumprir acordos e tratados internacionais. A título de exemplo, citou o Protocolo de Kyoto, que trata da redução da emissão de dióxido de carbono.  "O dado verdadeiro é que o Protocolo de Kyoto não pode ser uma peça de ficção. É muito fácil assinar documentos e esquecer na gaveta", disse. Na opinião do presidente, os países em desenvolvimento devem ser vistos como vítima do aquecimento, e não pagar a conta pelos problemas no clima.  "Os países ricos, na maior desfaçatez, arrumam argumentos para não cumprir acordos", afirmou. O presidente defendeu ainda a criação de um fundo de apoio à preservação da Amazônia, que repassaria US$ 1 bilhão por ano para ações de combate ao desmatamento na região. Lula disse que os países ricos devem bancar a conservação do meio ambiente, já que consomem 80% dos recursos do planeta. "É fácil os países mais poluidores repassarem a responsabilidade de proteger o planeta aos países pobres", disse o presidente.  "Os países que são poluidores do mundo precisam pagar para que os países pobres façam aquilo que os países ricos não fizeram no século 19", completou, sob aplausos de parte da platéia. Ele defendeu a produção de biodiesel como alternativa para reduzir a poluição e assegurou que isso não acarretará aumento do desmatamento da Floresta Amazônica.  Para o presidente, o desafio ambiental é conciliar demanda de produção de alimentos, especialmente em países como Brasil, China e Índia, com conservação das florestas. Ele assegurou que, no caso brasileiro, há possibilidade de expansão da agricultura sem desmatar a Amazônia.  Lula citou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que mostram que a Amazônia tem 360 milhões de hectares, o que representa 42% do território nacional. Ele voltou a enfatizar que é preciso, especialmente no debate sobre a Amazônia, pensar nas condições sociais e nas necessidades da população da região.  "Temos de preservar o meio ambiente. Mas, sobretudo, a gente tem de lembrar que tem muitos seres humanos que precisam comer", afirmou. Ainda no discurso, o presidente voltou a defender a retomada das negociações comerciais de Doha.  "Nessa questão da Rodada de Doha, sabemos que se não houver flexibilidade de um conjunto de países para permitir acesso a seus mercados, os países pobres de hoje serão os países pobres de amanhã e de sempre", afirmou. Segundo ele, os "nossos irmãos" dos países ricos devem fazer esforços para que as riquezas minerais sejam de todos e não apenas de poucos.

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