Lula desafia oposição e retoma tour com Dilma

Presidente diz que adversários estão ficando 'nervosos' com inaugurações

Ivana Moreira, BELO HORIZONTE e Rodrigo Brancatelli, ENVIADO ESPECIAL, OURO PRETO, O Estadao de S.Paulo

22 de outubro de 2009 | 00h00

Num discurso de quase 40 minutos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu ontem, em Belo Horizonte, às críticas da oposição a sua viagem para visitar obras de transposição do Rio São Francisco, na semana passada. "Agora desgraçou tudo, porque agora os homens estão ficando nervosos porque nós estamos inaugurando obra", afirmou ele, durante inauguração do programa Cidade Digital. "É a primeira vez na minha vida que eu vejo homem ficar nervoso porque estão inaugurando obra. Eu, quando fazia oposição, ficava nervoso porque não tinha obra." Irônico, ainda provocou a oposição. "Calma, calma, que nós ainda nem começamos a inaugurar o que nós temos de inaugurar neste país."

Lula não se referiu à crítica feita na véspera pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, para quem a Justiça Eleitoral deve investigar suas excursões ao lado da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência, as quais qualificou de "vale-tudo" eleitoral. Mas defendeu as viagens em vários momentos do discurso. Segundo ele, agora há muito trabalho para ser feito fora de Brasília. Ontem, além de Dilma, outros cinco ministros o acompanhavam: Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social; Hélio Costa, das Telecomunicações; Fernando Haddad, da Saúde; Márcio Fortes, das Cidades, e Luiz Dulci, da Secretaria-Geral.

Diante de uma plateia visivelmente petista, formada em grande parte por funcionários da Prefeitura de Belo Horizonte, Lula disse estar consciente de que será cobrado "como nenhum outro presidente do Brasil". "Qualquer outro presidente da República, se não fizesse nada, ninguém cobrava, porque são tudo da mesma laia", atacou. "Mas quando chega um metalúrgico na Presidência da República, se ele não dá certo, colocam um cangalha no pescoço dele e a classe trabalhadora nunca mais iria eleger um presidente da República."

HISTÓRICAS

Antes do compromisso em Belo Horizonte, Lula e Dilma lançaram, em Ouro Preto, o Programa de Aceleração do Crescimento das Cidades Históricas. Para a solenidade foi montado um palanque de quase 100 metros quadrados, mas dessa vez Lula economizou em sua fala e Dilma nem sequer discursou. Ambos também não quiseram falar com a imprensa e evitaram alimentar a polêmica com Mendes.

Da mesma forma que Lula, o presidente do STF também evitou novas declarações sobre a suposta campanha eleitoral fora de época. Para ele, houve um debate salutar que "está encerrado". Ao abrir o 71º Congresso Internacional de Criminologia, em Belém (PA), Mendes disse que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dará "bom encaminhamento à questão". E negou "qualquer polêmica" entre ele e Lula. "O presidente deve ter sido orientado por seus assessores a entender que isso era legal, mas quem vai examinar o caso não sou eu, é a Justiça Eleitoral."

PROJETO

O governo afirmou que o PAC das Cidades Históricas começa a ser implementado até dezembro em 32 municípios. As primeiras ações incluem principalmente embutimento de fiação elétrica, restauração de construções históricas e contenção de encostas. "É o maior programa para a preservação do patrimônio nacional já criado", disse Lula, ao lado de Dilma e Aécio. COLABOROU CARLOS MENDES

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