Lula diz que tomará medidas para garantir setor automotivo

Em discurso na abertura do 25o Salão Internacional do Automóvel, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que o governo tomará as medidas necessárias para garantir a atividade da indústria automobilística nacional, em meio à crise financeira internacional. Para o presidente, o setor é uma das prioridades do país, por seu dinamismo na economia nacional. Segundo Lula, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal estão aptos a comprar carteiras de crédito para irrigar o setor. E apelou para que as montadoras mantenham o investimento previsto de 22 bilhões de reais até 2010. "O momento é de ousadia", disse. O presidente anunciou uma reunião entre representantes do setor automotivo, o ministro Guido Mantega (Fazenda) e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles para a próxima sexta-feira quando irão debater as medidas necessárias às montadoras. "Vamos discutir os instrumentos necessários para não permitir que uma indústria de ponta possa sofrer qualquer problema por falta de crédito", disse Lula. A principal preocupação das indústrias diz respeito ao crédito, afirmou no evento o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, mas por enquanto as vendas não foram afetadas. O governador de São Paulo, José Serra (PSDB, presente ao salão, afirmou que a Nossa Caixa, banco estadual, também financiará a compra de automóveis para o consumidor. "Eu determinei ao secretário estadual de Fazenda que a Nossa Caixa pudesse participar desse esforço que o Banco do Brasil vai fazer no sentido de reativar o crédito ao setor. Portanto, a Nossa Caixa vai entrar nesse processo para financiar os consumidores, inclusive conversando com as montadoras e suas financeiras", afirmou. Ainda no evento, o presidente Lula, que já disse que a crise não passava de uma marola, reconheceu que a turbulência econômica internacional é similar à de 1929, a maior até agora vivida pelos mercados mundiais. "É importante que a gente faça uma reflexão, que é uma crise tão ou mais séria do que a crise de 1929. É uma crise que nasce no coração da principal economia do mundo e que depois se espalha por toda a Europa", afirmou. Lula afirmou que o governo está atento ao processo e que vem tomando medidas necessárias, principalmente para garantir o crédito à empresas, uma vez que principal conseqüência da turbulência tem sido a escassez de recursos para as companhias manterem a atividade. Ele não se referiu, no entanto à manutenção do nível da taxa de juros, que foi mantida em 13,75 por cento pelo Banco Central nesta noite, pouco antes de seu discurso. O presidente disse que tem feito questão de ser "o pregador do otimismo" e que o governo está atento aos movimentos financeiros, "sem entrar na síndrome de pânico e paralisar as atividades". LULA AO VOLANTE, SERRA AO LADO, DILMA DE FORA Lula percorreu os estandes do salão, acompanhado de Serra, do prefeito Gilberto Kassab (DEM) e dos ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Miguel Jorge (Desenvolvimento) e Edson Lobão (Minas e Energia). Lula fez questão de entrar em alguns veículos, sempre acompanhado de perto por Serra e Dilma, dois dos potenciais candidatos à Presidência da República em 2010. Numa dessas paradas, Lula, na direção, e Serra, ao lado, entraram num pequeno veículo, o Smart conversível, que, como só leva dois passageiros, deixou de fora a ministra Dilma, que se postou de pé ao lado da porta em que ficava o governador. (Reportagem de Carmen Munari)

REUTERS

29 de outubro de 2008 | 23h04

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