Lula expõe a empresários medidas de estímulo à economia

Em reunião com empresários nesta quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros apresentaram medidas de estímulo à economia para reduzir o impacto no Brasil da crise financeira global. As providências foram divulgadas depois do encontro e representam um corte de quase 9 bilhões de reais em impostos. Incluem redução de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para financiamentos, corte no IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para veículos e criação de duas novas alíquotas na tabela do Imposto de Renda para pessoas físicas. Os executivos também apresentaram um balanço de seus setores e ouviram do governo a disposição de atuar em conjunto. "Temos que ter competência para sair dessa fortalecidos. Na reunião foram discutidas medidas fiscais e financeiras para estimular o consumo e desonerar os investimentos. Eles (o governo) vão fazer o que for possível e o impossível também", disse a jornalistas após o encontro o empresário Benjamin Steinbruch, presidente da CSN. Constantino Júnior, presidente da GOL Linhas Aéreas, disse que gostaria que às medidas de redução de IOF, IPI e IR fosse acrescido o corte nos juros. "Levantou-se que este é um ponto que poderia ser aprimorado (impostos), eventualmente com uma redução de juros", disse Constantino. Havia a expectativa de que os cortes de impostos fossem anunciados à imprensa durante a reunião. "Não houve anúncio nenhum. O que foi feito foi uma avaliação de todos os setores neste momento por que passa a economia. O governo demonstrou posição muito firme de atuar junto com os empresários", disse o deputado Armando Monteiro, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Além de Lula, participaram da reunião com cerca de 30 empresários os ministros Guido Mantega (Fazenda), Paulo Bernardo (Planejamento) e Miguel Jorge (Desenvolvimento) e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. A conversa, convocada por Lula, levou cerca de quatro horas e foi realizada no Palácio do Planalto. "Saímos daqui muito mais otimistas do que entramos, na medida em que fica clara a mensagem do governo no sentido de que vai tomar todo o tipo de ação necessária para a retomada da energia econômica dos setores mais afetados pela retração", afirmou Jackson Schneider, presidente da Anfavea, associação que representa as montadoras de veículos. O setor automotivo tem recebido atenção especial do governo pelo grande número de trabalhadores que emprega. As indústrias apontam a redução do crédito como responsável pela queda nas vendas internas de carros novos e usados. "Isso já começa a se solucionar à medida que os recursos que foram disponibilizados pelo Banco do Brasil começam a chegar na ponta de varejo", afirmou Schneider. DEMISSÕES A maior preocupação do governo está na ponta da economia, representada pelo emprego dos trabalhadores. Empresa emblemática, a Vale anunciou na semana passada a demissão de 1,3 mil funcionários e férias coletivas a 5,5 mil funcionários. As montadoras de veículos também deram licença a empregados e iniciaram demissões. "O emprego sempre é garantido pela atividade do comércio. Nenhuma empresa demite por que quer", explicou o presidente da Anfavea. Steinbruch disse que "está todo mundo postergando ao máximo as demissões. A gente vai tentar segurar, e esperar pelas medidas para que a gente possa ter a chance de apostar no ano que vem." Constantino, da GOL, declarou que a empresa vive um momento de expansão. Segundo ele, a demanda doméstica no setor aéreo crescerá 6 por cento em 2009, sendo que em 2008 o crescimento esperado é de 8,4 por cento. "Não estamos prevendo corte de emprego. Estamos prevendo contratar." (Reportagem de Isabel Versiani e Fernando Exman)

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