Lula faz Cabral mudar tom sobre pré-sal

Governador acusou deputados de promover 'roubo' contra o Rio

RIO, O Estadao de S.Paulo

27 de novembro de 2009 | 00h00

A promessa de intervenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na questão da partilha dos royalties do pré-sal apaziguou os ânimos no Palácio Guanabara. Depois de classificar de "roubo" contra o Estado o movimento da bancada nordestina para repartir as compensações pagas pelas áreas já licitadas, o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) ficou satisfeito com a promessa presidencial de que o projeto não será votado no Congresso até o impasse ser resolvido. Ele seguiu na quarta-feira para os Estados Unidos, para uma viagem a passeio até o início da próxima semana, depois de passar o dia com Lula no Rio.

A questão dos royalties é fundamental para os interesses políticos do governador. No ano que vem, Cabral terá pela frente uma disputa pela reeleição que promete ser difícil. A perda de grande volume de recursos - o campo de Tupi no pré-sal, por exemplo, já deve render royalties para o Estado em 2010 - seria um fator complicador na corrida eleitoral. Integrantes do PMDB fluminense chegaram a vislumbrar a hipótese de criar dificuldades na convenção do partido que pretende ratificar a aliança com o PT em apoio à candidatura presidencial da ministra Dilma Rousseff.

Interlocutores mais próximos de Cabral, no entanto, descartam qualquer possibilidade de rompimento com o presidente. Patinando em índices relativamente tímidos nas pesquisas eleitorais, o governador do Rio sabe que precisará se fiar na popularidade de Lula e na entrega de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em comunidades carentes do Estado para fazer sua campanha à reeleição decolar. Ele ainda espera contar com o apoio do PT nacional para inviabilizar as pretensões do prefeito de Nova Iguaçu, o petista Lindberg Farias, de disputar o governo no ano que vem.

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