Lula pede esforço da Síria no processo de paz no Oriente Médio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu nesta quarta-feira um maior engajamento da Síria no processo de paz no Oriente Médio, e ouviu do presidente sírio, Bashar Al-Assad, em visita ao Brasil, elogios à atuação brasileira na região.

REUTERS

30 de junho de 2010 | 16h03

Lula também defendeu o envolvimento do Brasil na pacificação do Oriente Médio, que classificou como "uma responsabilidade de todos" e um "conflito que transcende as dimensões regionais".

"A Síria é um sócio indispensável na busca da pacificação. Não se retomarão as negociações sem o engajamento de todos", discursou Lula antes de oferecer um almoço ao líder sírio.

"Todos os olhos se voltam para Damasco em busca de palavra de autoridade e moderação. A Síria tem que ser ouvida e envolvida nas grandes discussões sobre o futuro do Oriente Médio."

O presidente brasileiro apoiou a devolução à Síria das Colinas de Golã, atualmente em poder de Israel, e a criação de um Estado palestino. Por outro lado, condenou os ataques terroristas contra Israel, o bloqueio e os ataques do Estado judeu contra a Faixa de Gaza.

"Contamos com a Síria para ajudar a alcançar uma verdadeira reconciliação entre palestinos," destacou Lula.

Primeiro chefe de Estado da Síria a visitar o Brasil, Al-Assad elogiou a participação e o posicionamento do Brasil em relação às questões do Oriente Médio, como a condenação à guerra liderada pelos Estados Unidos contra o Iraque e as tentativas de mediar as negociações entre israelenses, árabes e palestinos.

"A Síria admira a posição positiva do Brasil e da Turquia para chegar a um acordo em que o Irã aceitou a troca de energia nuclear", afirmou o líder sírio, destacando que a iniciativa demonstra a vontade do governo iraniano de solucionar a questão de forma pacífica, diferentemente de Israel, que possui armas nucleares.

"Israel sempre põe empecilhos para encontrar a paz. Em 2006, houve o ataque ao Líbano, em Gaza muitos inocentes morreram, o cerco continua e Jerusalém continua sofrendo com problemas, e o último (problema) foi o ataque ao barco humanitário que só queria a paz."

Al-Assad também apoiou o ingresso do Brasil como um membro permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

Os dois presidentes consideraram pequeno o volume do comércio bilateral, que cresceu para cerca de 307 milhões de dólares ante a aproximadamente 78 milhões de dólares entre 2003 e 2009. Al-Assad pediu o início de negociações para o livre comércio entre a Síria e o Mercosul, acordo já assinado entre Israel e o bloco de países sul-americanos.

(Reportagem de Fernando Exman)

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