Lula quer 'exorcizar' idéia de Amazônia internacional, diz jornal

Segundo o El País, Brasil teme que os EUA peçam internacionalização da floresta como patrimônio da Terra

BBC Brasil,

20 de setembro de 2007 | 08h08

Em meio a críticas de ecologistas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer "exorcizar" a possibilidade de que a Amazônia venha a ser internacionalizada, afirma uma reportagem publicada na página do jornal El País na Internet.   Veja também: Soja 'asfixia Amazônia', diz francês 'Le Monde' Lula critica regras de estrangeiros para Amazônia   "Lula adverte ao mundo desenvolvido que 'a Amazônia tem dono'", titula o correspondente do jornal no Brasil, fazendo o que o diário espanhol qualificou de um duro discurso contra os que dão "lições de conservação".   A reportagem se refere às palavras do presidente na abertura do 2º Encontro dos Povos da Floresta, pronunciadas "com voz firme, em um discurso quase improvisado", nas palavras do repórter.   Segundo o jornal, Lula disse que há 8 mil anos o Brasil tinha 9% das florestas mundiais. Hoje, tem 29,5%, porque os países desenvolvidos derrubaram as suas.   Mas o El País lembra que a defesa que o presidente faz do seu projeto de desenvolvimento amazônico trouxe junto críticas. "Lula foi criticado durante seu primeiro mandato por ecologistas brasileiros e internacionais, pelo que consideravam falta de sensibilidade diante dos problemas ambientais, e pela ausência de apoio à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva", diz o jornal.   "O presidente foi acusado de priorizar o desenvolvimento econômico, inclusive na Amazônia, por cima das exigências ecológicas. Por isto, em seu segundo mandato, tenta recuperar a credibilidade nesse tema, sensíveis à opinião pública."   O dilema, afirma a reportagem, é conseguir isso e ao mesmo tempo garantir a autonomia do país sobre o território amazônico. "O Brasil sempre rejeitou o slogan de que 'a Amazônia é de todos', e chegou a temer mesmo que, sob o pretexto de não proteger seus bosques, os Estados Unidos possam chegar a pedir sua internacionalização como patrimônio da Terra", diz o El País.   "Este é o demônio que Lula, com seu discurso fervoroso e taxativo, tentou exorcizar."

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