Lula quer ouvir de Sarney interesse pelo Senado--Múcio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deseja ouvir do ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) se realmente quer se candidatar à presidência do Senado, afirmou na terça-feira o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. Como nos últimos encontros que tiveram Sarney disse a Lula que não pretendia se candidatar, o Executivo reforçou a campanha do senador Tião Viana (PT-AC). Com a suposta mudança de Sarney, que vinha afirmando que só aceitava participar da eleição se seu nome fosse objeto de consenso entre os colegas, o PMDB poderia controlar as duas Casas do Congresso, já que o deputado Michel Temer (PMDB-SP) obteve o apoio de diversos partidos governistas e da oposição para presidir a Câmara. "A gente tem que primeiro ouvir dele (Sarney) para ver se ele mudou (de opinião) para a partir daí tomar providências", disse o ministro a jornalistas, revelando que o Palácio do Planalto só soube que Sarney poderia ter mudado de idéia por meio da imprensa e de terceiros. Múcio sublinhou que o governo não vai "atropelar os fatos" e, por enquanto, continua apoiando Viana. O ministro sinalizou, entretanto, que o governo pode alterar o rumo de sua participação na campanha. Fontes do PMDB e do Palácio do Planalto disseram mais cedo que um encontro entre Lula e Sarney deveria ocorrer na semana que vem, mas o ministro disse que a reunião pode acontecer na quarta-feira. "O governo quer ser parceiro do resultado (da eleição da sucessão no Congresso)", disse o ministro. Para o governo, reafirmou Múcio, o ideal seria a divisão de poderes entre o PMDB e o PT. O primeiro partido presidiria a Câmara com Temer, enquanto os petistas comandariam o Senado. Com esse cenário de equilíbrio de forças em xeque, o presidente Lula deve se reunir também com o presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), para evitar que o caso gere uma crise na coalizão que dá sustentação ao Executivo no Congresso. Mesmo assim, Múcio considerou compreensível e correta a disposição de Viana de não desistir da candidatura. O outro candidato à presidência do Senado é Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), que tenta a reeleição. Garibaldi chegou a dizer que poderia desistir da disputa em favor de Sarney se a bancada do PMDB pedisse. Nesta terça-feira, no entanto, Viana e Garibaldi conversaram e decidiram não abrir mão das candidaturas. Os dois ficaram de fazer uma declaração conjunta manifestando essa intenção. "Só o jogo combinado para não deixar ninguém se achando diminuído", afirmou Múcio, ressaltando que mudanças no ministério como forma de compensar eventuais perdedores não estão em pauta no momento. Principal articulador político do Executivo, Múcio reconheceu que o governo precisa evitar uma retaliação do PT ao PMDB na Câmara se de fato Sarney se candidatar. Os dois partidos têm um acordo para se revezarem no comando da Câmara. "A gente tem que administrar com cuidado para que não haja contaminação", afirmou. Múcio disse que deve ir ao Congresso nos próximos dias, com o ministro da Justiça, Tarso Genro, para voltar a debater as propostas do governo para a reforma política. Todos esses temas foram debatidos durante a reunião de coordenação política do governo, da qual também participaram, além do presidente Lula e de Múcio, o vice-presidente, José Alencar, e os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência), Franklin Martins (Comunicação Social) e Tarso Genro (Justiça). (Reportagem de Fernando Exman)

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