Lula sinaliza que pode deixar indicação do STF para Dilma

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que deixará a indicação de um novo ministro para o Supremo Tribunal Federal (STF) a sua sucessora Dilma Rousseff, caso não seja possível o Senado referendar uma indicação sua até o dia 17 de dezembro.

REUTERS

24 de novembro de 2010 | 12h56

Lula reiterou que não indicou um substituto para o ex-ministro Eros Grau, que se aposentou em agosto, por conta da eleição presidencial e que escolheu discutir o nome do novo ministro com o vencedor da eleição de outubro.

"Nós só temos que ver se é possível votar até o dia 17. Se não for possível votar até o dia 17, eu prefiro deixar para a companheira Dilma indicar", disse Lula durante entrevista de quase duas horas com blogueiros em Brasília.

O presidente lembrou que o futuro ministro do Supremo terá "muita responsabilidade" ao elencar alguns dos casos pendentes na corte, como a Lei da Ficha Limpa, o julgamento do caso do Mensalão e da extradição do ex-militante italiano Cesare Battisti.

No mês passado, o Supremo viveu um impasse num julgamento sobre a Lei da Ficha Limpa, que impede a candidatura a cargos públicos de pessoas com pendências na Justiça, após empate em 5 a 5 entre os ministros.

O nome a ser indicado por Lula ou por Dilma será o 11o ministro da corte, que voltará a ter todas as vagas preenchidas após sua posse.

Lula afirmou ainda que pode trabalhar junto a Dilma na escolha do novo ministro, no que ele chamou de "um processo a dois", que dividiria a responsabilidade da escolha com a presidente eleita.

MÍDIA

Um ponto recorrente durante o encontro de Lula com os blogueiros, alguns deles declaradamente simpáticos ao presidente, foram os ataques ao que um dos entrevistadores chamou de "velha mídia". O presidente partiu para o ataque.

"Você sabe que eu tenho problemas que são públicos na minha relação do que você chamou agora de mídia antiga. Eu vou ter orgulho de terminar o meu mandato sem precisar ter almoçado em nenhum jornal, em nenhuma revista, em nenhum canal de televisão para poder sobreviver", disse.

"Se daqui a 100 anos alguém for pegar uma revista para escrever a história do meu mandato, ele vai ter a pior impressão possível. Ele vai ter que pegar uma revista brasileira e uma revista americana, uma revista inglesa, uma revista alemã para ele poder fazer um comparativo", acrescentou Lula.

O presidente avaliou que a cobertura de boa parte da imprensa durante seus oito anos de mandato não refletiram a realidade do país no período e afirmou que alguns setores da imprensa tentaram derrotá-lo.

"Se você pega uma parte do noticiário que a imprensa brasileira publica sobre o governo, você não conhece o que acontece no Brasil. Não tem a menor noção do que acontece no Brasil", acusou.

Lula defendeu ainda a regulação da imprensa e afirmou que regulação "não tem nada a ver" com censura.

(Texto de Eduardo Simões)

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