Lula vai à Ásia de olho em dinamismo econômico

Presidente visita Vietnã, Indonésia e passa algumas horas no Timor Leste.

Pablo Uchoa, BBC

09 Julho 2008 | 15h00

O presidente Luis Inácio Lula da Silva inicia nesta quinta-feira (hora local, noite da quarta-feira em Brasília) um giro por três países do sudeste asiático - Vietnã, Timor Leste e Indonésia - em uma tentativa de aproximar o Brasil de uma das regiões mais dinâmicas do planeta. Na pauta do presidente estão assuntos como a produção de energia, mudança climática e comércio internacional.A visita começara pelo Vietnã, uma economia que projeta um crescimento econômico de 7% neste ano, apesar da crise mundial.Em seguida, o presidente segue para Timor Leste, único país de língua portuguesa na Ásia, no qual o governo brasileiro tenta ajudar na reconstrução de um Estado devastado por conflitos que sucederam décadas de ocupação indonésia.O giro termina com uma visita à Indonésia, país de 230 milhões de habitantes que desponta como a maior potência regional, cuja aproximação com o Brasil sempre foi dificultada pela reivindicação de independência timorense, que recebia a simpatia de Brasília.Superadas as divergências, os dois países demonstram uma pauta de reivindicações coincidente em fóruns internacionais sobre mudança climática, produção de energia e comércio internacional.Para o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Paulo Visentini, a visita de Lula incentiva a aproximação do Brasil com uma das regiões mais dinâmicas da economia global."Os países entre a China e a Índia conformam um bloco de 600 milhões de habitantes, portanto com uma grande população e com grande dinamismo econômico", observa ele. "Grandes potências tem interesse ali: a Índia, a China. As potências de fora, como o Japão e os Estados Unidos, também se apresentam, e o Brasil está fazendo sua parte."Missões empresariaisComo de praxe, o presidente Lula chegará aos seus destinos acompanhado de uma delegação de 80 empresários brasileiros, que participarão de eventos sobre as possibilidades de negócios entre o Brasil e os países visitados.No Vietnã, as empresas brasileiras podem ficar de olho nos setores de alimentação - os principais produtos vendidos pelo Brasil são carnes -, infra-estrutura, máquinas, siderurgia, metalurgia e aviação, sem contar a possibilidade de entendimentos na área de petróleo e energias renováveis com a estatal petroleira PetroVietnam, hoje um ator presente nas economias vizinhas.Republica socialista que desde 1986 vem implementando um programa de reformas de "renovação" (doi moi), o Vietnã é hoje considerado um dos países mais atraentes para os investimentos estrangeiros, pela sua estabilidade política e econômica, a consistência de seus planos econômicos, a mão-de-obra farta e barata e sua posição privilegiada no Sudeste Asiático.Segundo a embaixada brasileira em Hanói, a organização Asian Business Council chegou a considerar o país o terceiro mais atraente para os investimentos, atrás apenas da Índia e da China.Em relação à Indonésia, país produtor de petróleo e ao mesmo tempo detentor de florestas tropicais, a discussão sobre a questão energética sobressai na agenda bilateral.Os dois emergentes, detentores de matas ameaçadas pelo aquecimento global, não apenas podem ser parceiros na produção de biocombustíveis e energias alternativas, mas seriam diretamente afetados pelas decisões mundiais a esse respeito.No tema da agricultura, Brasil e Indonésia colaboram no G-20, o grupo de países que tenta convencer os ricos a reduzir o seu protecionismo agrícola.Trabalhar a partir de coincidências é uma possibilidade facilitada pela independência timorense em 1999, após quase três décadas de domínio indonésio.Um ano antes, a crise econômica e os altos níveis de corrupção levavam à queda de 32 anos de governo de Suharto.O país ainda carece de estabilidade em determinadas regiões do arquipélago onde estão enraizados movimentos radicais muçulmanos, mas, segundo Paulo Visentini, da UFRGS, está em um ponto mais favorável para ampliar a relação com o Brasil."Só agora a Indonésia se torna um país maduro para uma relação mais estável. É um dos maiores países do mundo em termos de população, o maior da Asean (o bloco dos paises da Ásia-Pacífico), com alianças muito definidas. E o Brasil tem de fazer alianças se quiser entrar nesse jogo pesadíssimo que é o da produção de energia no mundo."Entre um país e outro, Lula visita o Timor Leste, em uma escala na qual não se prevê sequer o pernoite do presidente. O encontro descrito pelo Itamaraty como "de solidariedade" ocorre poucos meses após a visita ao Brasil do presidente timorense, José Ramos-Horta.Os lideres voltam a se encontrar nesta ocasião, e Lula terá reuniões ainda com o primeiro-ministro Xanana Gusmão e com o presidente do Parlamento Nacional, deputado Fernando Lasama. O presidente retorna ao Brasil na noite de sábado.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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