Lula vai a Santa Catarina, Estado reforça segurança após saques

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu viajar nesta quarta-feira ao Estado Santa Catarina, castigado pelas chuvas que deixaram milhares de desabrigados e quase uma centena de mortos. As autoridades locais, mobilizadas para fazer o resgate dos afetados, tiveram que destacar reforços de segurança às cidades atingidas pelas fortes chuvas, onde estabelecimentos comerciais foram saqueados pela população em meio à falta de água, luz e comida. A enxurrada já deixou ao menos 84 mortos e 30 desaparecidos no Estado, além de mais de 54 mil desabrigados. Cidades estão submersas ou com as ruas tomadas pela lama. Em Blumenau, onde 20 pessoas morreram devido à tragédia, cinco pessoas foram presas por saques, de acordo com a Polícia Civil. Mais de 200 policiais da capital Florianópolis, menos castigada pelas chuvas, foram enviados a cidades onde houve registros de saques na terça-feira. Além disso, cerca de 50 agentes da Força Nacional de Segurança foram destacados para ajudar no combate à criminalidade em Santa Catarina. "(Também) temos efetivo vindo de outras regiões", afirmou por telefone a assessoria da Polícia Civil, nesta quarta-feira. O governo federal, por meio de uma medida provisória a ser assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vai reforçar a ajuda com a liberação de 700 milhões de reais. Os recursos são para ajudar às vítimas de Estados atingidos pelas chuvas, especialmente Santa Catarina, de acordo com fontes do Planalto citadas pela Agência Brasil. O secretário nacional de Defesa Civil, Roberto Guimarães, disse à Reuters que a MP foi solicitada pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, após um sobrevôo pelas regiões atingidas em Santa Catarina, na terça-feira. Seis municípios declararam estado de calamidade pública e oito estão inacessíveis desde o fim de semana, com diversas estradas bloqueadas por enchentes e queda de barrancos. O total de habitantes ilhados nesses municípios chegava a perto de 100 mil. Autoridades locais, estaduais e federais tentam se mobilizar para conseguir ajuda e dar seguimento ao resgate e amparo à população. As Forças Armadas também participam com homens, aeronaves e veículos anfíbios. "Estamos de luto, o Estado está de luto, a situação é muito complicada", disse à Reuters o gerente de Operações da Defesa Civil de Santa Catarina, major Emerson Neri, na terça-feira. "Nosso povo não está nada bem. Tem sido um trabalho árduo." Segundo o secretário Defesa Civil, que chegou a Santa Catarina no domingo para liderar as operações de resgate, algumas cidades, como Ilhota e Itajaí, estavam em torno de 80 por cento submersas na terça. Parte da população está sem acesso a água e energia. A Defesa Civil de Santa Catarina pediu a doação de água potável como prioridade, enquanto o governo federal disse ter entregue 286 toneladas de alimentos para os desabrigados. O abastecimento de gás em municípios da região e no Rio Grande do Sul também foi afetado com o rompimento de um duto. A Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia- Brasil (TBG) informou que o reparo no trecho do gasoduto levaria 21 dias. Segundo a Defesa Civil, dados do serviço meteorológico indicam recordes históricos de chuvas no mês de novembro nas cidades de Blumenau, Indaial, Joinville, Itajaí e Florianópolis. (Reportagem de Alice Assunção, Pedro Fonseca e Raymond Colitt)

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