Lula vê chance para latino-americanos na crise americana

Em El Salvador, presidente afirma ser preciso firmar novos nichos de mercado.

Bruno Garcez, BBC

29 de maio de 2008 | 16h55

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira em El Salvador que Brasil e os demais países latino-americanos precisam consolidar novas parcerias e criar novos nichos de mercado a fim de se prevenir contra os efeitos da crise econômica americana.''Nesse mundo globalizado, ou nós procuramos consolidar outras parcerias entre nós, novos nichos de mercado entre nós, novas parcerias empresariais entre nós ou corremos o risco de fazer com que esta crise resulte em prejuízo para quem não teve coragem de procurar novas parcerias nestes últimos anos'', afirmou o presidente.Os comentários de Lula fizeram parte do discurso de 37 minutos que ele realizou na abertura da 2º Encontro Empresarial Brasil-Sica (Sistema de Integração Centro-Americana, grupo formado por Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá e Belize)."O dado concreto e objetivo é que todo mundo sabe que se os Estados Unidos tiverem uma recessão, esta recessão tem abalo na economia mundial. Uns sofrerão mais, outros menos. E todos nós agora precisamos começar a compreender que, com este mundo globalizado que estamos vivendo, não podemos mais ficar dependendo apenas de um ou de outro país."De acordo com o presidente, os Estados Unidos e os organismos financeiros não tratam a crise americana com a mesma transparência que cobram de nações emergentes como o Brasil.''A crise americana é quase que um segredo de Estado. Sabemos pouco até onde ela vai chegar. Se fosse aqui em El Salvador, no Brasil, no Panamá ou na Guatemala, se tivéssemos uma crise imobiliária como temos nos Estados Unidos, com um reflexo profundo nos bancos europeus, certamente o FMI já estaria aqui com 30 delegações, tentando ajudar, consertar nossas economias.''EtanolLula destacou que o comércio entre o Brasil e os países da América Central cresceu 280% entre 2003 e 2007, passando de US$ 594,7 milhões para US$ 1,7 bilhão.Uma das frentes em que o Brasil espera avançar é a de exportação de etanol para El Salvador. Atualmente, o Brasil exporta álcool desidratado para o país centro-americano. Em El Salvador, o biocombustível passa por um processo de hidratação e é exportado, livre de tarifas, para os Estados Unidos, devido ao tratado de livre comércio firmado entre os dois países. Se fosse negociado diretamente para o mercado americano, o combustível não estaria livre de impostos, uma vez que os Estados Unidos cobram uma tarifa de US$ 0,54 sobre o etanol que o Brasil exporta para o mercado americano.Atualmente, a Assembléia Legislativa salvadorenha discute um projeto de lei que prevê a adição de 10% de etanol na gasolina consumida no país.Em seu discurso durante o encontro desta quinta-feira, o presidente salvadorenho Elías Antonio Saca deu como certo que a chamada lei do etanol será aprovada pelo Congresso.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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