Lupi nega ter mentido sobre relação com dirigente de ONG

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, negou nesta quinta-feira ter mentido a deputados durante audiência na semana passada, quando afirmou que não tinha relações com o dirigente de organização não-governamental (ONG) Adair Meira. Lupi admitiu, no entanto, ter viajado no mesmo avião com o dirigente.

REUTERS

17 de novembro de 2011 | 16h54

O ministro se valeu da transcrição de gravação de seu depoimento à comissão da Câmara dos Deputados na semana passada, em que declarou não ter relação com Meira, para afirmar que não mentiu. De acordo com o ministro, ele jamais negou conhecer Meira, apenas disse não ter relação pessoal com ele.

"Eu não tenho nenhuma relação. Absolutamente nenhuma (relação) com o senhor Adair. Não disse que não o conheço. É diferente a gente perguntar 'o senhor tem uma relação de amizade com o senador Eduardo Suplicy?' 'O senhor conhece o senador Eduardo Suplicy?' é outra pergunta", disse Lupi, citando o senador pelo PT paulista em audiência na Comissão de Assuntos Sociais do Senado nesta quinta-feira.

"Eu não sou amigo dele (Meira), eu não tenho relação pessoal com ele e foi o que eu respondi (aos deputados)", completou.

Denúncias apontam que o ministro teria viajado em um avião providenciado por Meira. Meses após o voo, uma ONG dirigida por Meira firmou convênios com o Ministério do Trabalho. Na semana passada, ao prestar esclarecimentos em uma comissão da Câmara, Lupi negou ter embarcado em aeronave "pessoal" ou "particular" do dirigente.

No fim de semana, no entanto, a imprensa divulgou fotos em que o ministro figurava ao lado de Meira descendo de avião. Em nota, o Ministério informou que o avião foi providenciado pelo PDT, partido de Lupi.

Durante a audiência nesta quinta-feira, Lupi sustentou que a aeronave foi providenciada por Ezequiel Nascimento, um ex-secretário do Ministério, que convidou Meira para o voo.

Para a oposição, a divulgação das fotos colocam sob suspeição a fala do ministro da semana passada. Tanto é que líderes do PSDB apresentaram representação à Procuradoria Geral da República (PGR) para que investigue a existência de crime de responsabilidade.

"O senhor está subestimando a inteligência dos brasileiros... afirmou taxativamente 'não usei este avião e nenhum outro avião'", disse o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR).

"O fato concreto, a materialidade dos fatos é que Vossa Excelência mentiu ao dizer que não viajou naquele avião", afirmou o tucano. "O crime de responsabilidade é consequência da mentira proferida por Vossa Excelência na Câmara dos Deputados."

Além de justificar a resposta dada a deputados na última semana, Lupi sustentou que o próprio Meira teria negado que pagou pelo transporte aéreo. É vedado a ocupantes do primeiro escalão da administração pública pegar "carona" em aviões de empresários ou dirigentes.

"Pela explicação pública do senhor Adair, ele não pagou a aeronave. Eu quero saber do que estou sendo acusado", questionou o ministro.

Lupi disse que, em conversa com a presidente Dilma Rousseff na quarta-feira, ela pediu para que ele permanecesse no posto. O Ministério do Trabalho tem sido alvo de denúncias há mais de uma semana, depois que a revista Veja denunciar a existência de um esquema de arrecadação de propinas de ONGs conveniadas com a pasta.

Os recursos obtidos com o suposto esquema serviriam para abastecer o caixa do PDT, partido de cuja presidência Lupi está licenciado por conta de seu cargo na Esplanada dos Ministérios.

Cinco ministros do governo da presidente Dilma Rousseff já deixaram seus cargos em meio a denúncias de irregularidades desde junho, quando Antonio Palocci saiu da Casa Civil em meio a suspeitas sobre o crescimento de seu patrimônio.

Depois dele, Alfredo Nascimento (Transportes), Wagner Rossi (Agricultura), Pedro Novais (Turismo) e Orlando Silva (Esporte) também deixaram seus postos em meio a suspeitas de irregularidades.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

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