Luta global contra Ebola cresce mas ainda está longe de vitória, diz enviada dos EUA

Luta global contra Ebola cresce mas ainda está longe de vitória, diz enviada dos EUA

Sobreviventes nos países do oeste africano foram deixados de lado, ao passo que a Austrália proibiu vistos para cidadãos de países afetados

MICHELLE NICHOLS, REUTERS

30 de outubro de 2014 | 09h39

A enviada especial dos Estados Unidos para a África Ocidental, Samantha Power, disse que voltará aos EUA nesta quinta-feira com uma mensagem de “esperança e possibilidade” de que a resposta global contra o surto de Ebola está funcionando, mas que mais recursos serão necessários.

Em entrevista à Reuters após visitar os três países mais afetados pela doença -Libéria, Serra Leoa e Guiné- Power disse que, entre várias áreas para se concentrar, é necessário remover o estigma sobre a doença hemorrágica nesses países e no mundo.

Sobreviventes do Ebola nos países do oeste africano foram deixados de lado, ao passo que a Austrália proibiu vistos para cidadãos desses três países, e diversos Estados dos EUA impuseram uma quarentena compulsória para profissionais de saúde que voltam da região.

“Essa é, literalmente, a forma mais desoladora de doença que qualquer comunidade pode ser submetida, uma na qual você não pode cuidar de seus entes queridos”, disse Power. “A única coisa pior do que perder um filho é não ser capaz de abraçar esse filho que você está perdendo. É arrasador.”

A enviada dos EUA disse que os recém-montados centros de comando e controle nas capitais da Libéria e de Serra Leoa, unindo governos, a ONU, outros países que assumem a liderança na resposta e grupos de ajuda, estão se mostrando bem-sucedidos.

A coordenação foi “uma coisa bela de se ver”, disse.

Em Freetown, Serra Leoa, a taxa de enterros seguros dos corpos altamente contagiosos de vítimas do Ebola cresceu de 30 por cento para 98 por cento nos poucos dias em que o centro de comando funerário esteve em operação, ao passo que, na Libéria, um laboratório móvel em uma área remota havia reduzido o tempo de testes de doença de cinco dias para cinco horas.

“É um grande privilégio ser capaz de trazer de volta o sentimento de esperança e possibilidade para os EUA e para a ONU. Agora a mensagem é: ‘O que estamos fazendo funciona’”, disse.

“O que temos não é suficiente, mas sabemos por nossas intervenções que é possível haver estes efeitos rápidos. Então, agora, podemos dizer que você tem a oportunidade de ser uma parte de um empreendimento vitorioso”, disse Power sobre sua tentativa de convencer mais países a fazerem parte dos esforços de resposta.

Segundo ela, mais países precisam se posicionar e ajudar a combater a doença, a qual já matou mais de 5 mil pessoas principalmente na Libéria, em Serra Leoa e na Guiné desde março, com alguns poucos casos na Nigéria, no Senegal, em Mali, na Espanha e nos EUA.

A epidemia permanece em uma escala e severidade que o mundo nunca antes viu, disse Power, falando à Reuters ao chegar em Bruxelas, vindo da África Ocidental.

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