Luz ajuda a detectar greening em citros antes de sintomas

Pesquisa liderada pela Embrapa e financiada pela CNPq pode ajudar a diagnosticar doença precocemente

Brás Henrique, O Estado de S.Paulo

17 Junho 2009 | 02h43

Testes preliminares com biofotônica - uma técnica que usa luz para analisar a saúde das plantas - mostram que é possível diagnosticar o greening em folhas totalmente assintomáticas. Os testes fazem parte da primeira etapa de um projeto desenvolvido por uma rede de pesquisa liderada pela Embrapa Instrumentação Agropecuária e financiado pelo CNPq, que vai liberar cerca de R$ 800 mil para teste de metodologias e desenvolvimento de equipamentos para diagnóstico precoce da doença.

Na segunda etapa a meta é validar a metodologia para análises de campo. "A doença se propaga com rapidez e coloca a cultura em risco. No sul da China, por exemplo, há regiões com perdas de 100% de pomares", comenta a pesquisadora Débora Milori. Segundo ela, o projeto poderá melhorar a eficiência e a precisão da aferição feita atualmente no campo. Se os resultados forem positivos no Brasil, outros ensaios serão feitos na Flórida (EUA), outro importante centro citricultor.

O projeto, iniciado há seis meses, tem parcerias com várias instituições internacionais, inclusive a Universidade da Flórida. Preocupado com o problema, o governo norte-americano também lançou editais, financiando pesquisas nesse sentido por meio do Programa Tecnológico de Avanços para Citros. E, dentro desse programa, há dois meses foi aprovado um projeto no qual a Embrapa vai colaborar com testes de diagnóstico nos pomares do Brasil e dos EUA.

RAPIDEZ

Com o uso da biofotônica, a meta é diagnosticar com rapidez o surgimento do greening. Um equipamento desenvolvido pela Embrapa, em princípio para diagnosticar a morte súbita dos citros pela análise direta da folha, demonstrou ser promissor também para o diagnóstico do greening. Com esse equipamento será possível emitir laudos em larga escala, com rapidez e precisão, tornando viável o levantamento de mapas de infestação da doença.

Técnicas baseadas em biofotônica já são utilizadas há cinco anos pela Embrapa na avaliação de saúde de plantas, por serem ferramentas sensíveis e economicamente viáveis para análises em larga escola e com resultados positivos. Toda a variedade de citros é afetada pela doença e a planta passa por um período assintomático, que pode durar de 6 a 36 meses. Durante esse período que a doença do greening fica incubada, ela se propaga. Por isso, a descoberta precoce da praga ajudaria no controle dos pomares, já que ainda não existe uma cura para o greening e seu índice de propagação é alto, pois o seu vetor é um inseto alado.

"Se for mais rápida, ágil e prática, essa poderá ser mais uma ferramenta importante na detecção do greening, pois é um problema mundial e mais de cem países produzem citros", afirma o gerente científico do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), Juliano Ayres. O órgão usa uma técnica para detectar a doença, na inspeção de campo, extraindo a folha e levando-a para o laboratório, na maioria dos casos para uma análise confirmatória do que foi visualizado (a olho nu) no campo, mas o resultado demora uma semana.

PREOCUPAÇÃO

O gerente técnico do Fundecitrus, Cícero Massari, informa que o órgão fez dois levantamentos sobre o greening na citricultura do Estado de São Paulo e no sul do Triângulo Mineiro nos meses de abril de 2008 e de 2009. Em blocos de plantações, foram encontrados, em média, 18,57% dos talhões com a doença em 2008 e cerca de 24% neste ano. Em plantas doentes, em cerca de 200 milhões de árvores, estavam infectadas 0,6% (1,2 milhão) em 2008 e 0,9% (1,8 milhão) neste ano. Ou seja, os números são alarmantes e preocupantes. E como a inspeção é feita no campo, esses dados são considerados mínimos nas lavouras cítricas.

O Estado de São Paulo representa cerca de 80% da citricultura brasileira. Desde o início da década de 90, o Brasil é o maior produtor mundial de laranja, responsável por 80% do comércio internacional de suco de laranja. Devido ao greening, até 2008 já foram erradicadas 3 milhões de árvores sintomáticas, o que corresponde aproximadamente a uma perda de R$ 50 milhões para os produtores.

Mais conteúdo sobre:
Agrícolagreening

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.