Macacos movem objetos virtuais com o pensamento, diz estudo

Um projeto que tem como objetivo restaurar a mobilidade de tetraplégicos e paraplégicos concluiu sua segunda etapa nesta quarta-feira, com macacos conseguindo mover e identificar a textura de objetos virtuais usando somente a atividade elétrica do cérebro.

TATIANA RAMIL, REUTERS

05 de outubro de 2011 | 19h23

"Esse era um dos passos mais difíceis a ser completados, e o fato de a gente ter conseguido realizar abre portas muito grandes para realizar o sonho de fazer alguém voltar a caminhar", disse à Reuters o líder do Projeto Walk Again, o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis.

O projeto pretende fazer um jovem paraplégico dar o pontapé inicial da Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

"É difícil, é uma façanha que nunca foi feita, mas estamos muito otimistas com o resultado que publicamos hoje e outras coisas que estão por vir, que são tão ou mais fascinantes que o estudo de hoje", acrescentou Nicolelis, dizendo não poder detalhar esses projetos.

Segundo o estudo Walk Again, publicado na revista científica Nature nesta quarta, os macacos, sem mover nenhuma parte do seu corpo real, usaram a atividade elétrica de seus cérebros para dirigir as mãos virtuais de um avatar até a superfície de objetos virtuais.

Quando o contato com esses objetos foi estabelecido, os animais foram capazes de diferenciar as texturas desses objetos, expressas como padrões de sinais elétricos.

Pelo fato de nenhuma parte do corpo real dos animais ter sido envolvida na operação, esses experimentos sugerem que, no futuro, pacientes severamente paralisados devido a uma lesão da medula espinhal poderão tirar proveito desta tecnologia.

Os resultados fornecem novas evidências de que é possível criar um exoesqueleto robótico, para que pacientes paralisados possam explorar e receber retorno do mundo exterior.

"O sucesso notável com primatas não-humanos é o que nos faz acreditar que os humanos poderão realizar a mesma tarefa com muito mais facilidade no futuro próximo", disse o neurocientista.

Até então desenvolvido nos Estados Unidos, o projeto de uma equipe de cientistas brasileiros, norte-americanos, suíços e alemães a partir de 2012 será desenvolvido no Brasil, no Instituto de Neurociências de Natal (RN). A ideia é que o projeto siga no país na próxima década.

"O consórcio internacional que nós criamos vai começar a criar as condições para que essa pesquisa seja feita no Brasil a partir de agora", explicou Nicolelis.

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