Mãe congela óvulo para que filha dê à luz irmão ou irmã

Flavie Boivin, de 7 anos, sofre de problema genético que pode deixá-la estéril

Agencia Estado

03 Julho 2007 | 14h32

Uma canadense teve seus óvulos congelados para que sua filha de sete anos de idade possa usá-los no futuro. Se optar por usar os óvulos e conseguir permissão das autoridades, a menina pode um dia dar à luz um bebê que será sua meio-irmã ou irmão. O caso, apresentado durante uma conferência da European Society for Human Reproduction and Embriology em Lyon, na França, causou polêmica entre os especialistas presentes. Mas os médicos envolvidos no caso, especialistas do McGill Reproductive Center, em Montreal, disseram que a doação foi um ato de amor. Eles dizem que a menina e seu futuro parceiro poderão optar entre usar os óvulos ou não. A menina, Flavie Boivin, não pode ter filhos porque sofre de uma condição genética chamada Síndrome de Turner. Querendo ajudar, a mãe Melanie, uma advogada de 35 anos de idade, investigou se poderia doar seus próprios óvulos. Ela conheceu a equipe de Seang Lin Tan, responsável por um programa de congelamento de óvulos para pacientes com câncer ou pessoas que querem ter filhos mais tarde. Melanie disse que discutiu a situação com seu parceiro e pai de Flavie, Martin Cote, um analista financeiro de 35 anos. Impacto Emocional "Estávamos preocupados com as questões éticas - será que eu iria pensar na criança como minha neta ou como minha própria filha?" disse Boivin. "Também estávamos preocupados com o impacto financeiro, o impacto físico sobre mim e o impacto emocional sobre a família". Depois de um ano, o casal decidiu seguir em frente com o plano. "O que nos deu certeza foi o fato de que eu estava lá para ajudar minha filha. Se eu podia fazer qualquer coisa ao meu alcance para ajudá-la, eu tinha de fazer, e por causa da minha idade eu tinha de ser agora." "Eu disse a mim mesma que se ela precisasse de um outro órgão, como um rim, eu ofereceria o meu sem qualquer hesitação. É o mesmo raciocínio neste caso". Boivin disse que a filha seria a mãe verdadeira porque estaria cuidando da criança. "Não quero forçá-la a usar os óvulos, quero apenas dar a ela esta opção", disse. O médico Tan disse que pediu o conselho de uma comissão independente de ética. "A comissão de ética concordou (com o congelamento) porque uma mãe que doa (seu óvulo) para uma filha faz isso por amor e fica a cargo da filha e do parceiro no futuro decidir se usam ou não os óvulos", disse Tan. "A ética muda com o tempo. Quem sabe o que vai ser considerado ético dentro de 20 anos?", questionou o médico. Problemas de Identidade Tan disse que este é o primeiro caso de doação de óvulo de mãe para filha. Já houve casos de doação de irmã para irmã. Uma representante da entidade britânica Comment on Reproductive Ethics, Josephine Quintavalle, disse: "posso entender a tristeza da mãe em questão, mas a proposta de doar óvulos para a filha de sete anos com Síndrome de Turner não é algo a ser encorajado". "O bem-estar psicológico do bebê tem de ser a questão principal". Este bebê seria um irmão da mãe e ao mesmo tempo seria geneticamente um descendente direto da avó doadora." "Em psiquiatria estamos ouvindo mais e mais sobre crianças sofrendo de problemas de identidade, especificamente uma condição conhecida como ´confusão genealógica´", disse Quintavalle. "O que pode ser mais confuso do que isto?", indaga.

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