Mães de vítimas da Providência pedem proteção policial

Ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, disse que isso será providênciado

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2008 | 19h31

Duas mães das vítimas do Morro da Providência, no centro do Rio, querem a inclusão de suas famílias no Programa de Proteção às Testemunhas do governo federal. O pedido foi feito ao ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, que nesta sexta-feira, 20, subiu o morro para visitar os familiares dos jovens mortos no fim de semana. Elas testemunharam, junto com outros moradores, a detenção dos filhos por militares, que acabaram levando as vítimas para traficantes rivais do Morro da Mineira, na zona norte, onde eles foram torturados, mutilados e mortos.    Veja também: Para Jobim, cassação da liminar é passo para soluções no morro Militares podem ficar apenas em rua da obra, decide Justiça Familiares de vítimas participam de missa de 7º dia Comissão fará investigação paralela sobre mortes Opine: o Exército pode cuidar da segurança pública? "Será nossa primeira providência. Elas solicitaram porque tem seus filhos e parentes ameaçados de morte", afirmou Vannuchi. O ministro liderou a comitiva da Comissão Especial do Conselho da Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, que também esteve com militares no Comando Militar do Leste (CML) e com o delegado-titular da 4ª Delegacia de Polícia, Ricardo Dominguez, responsável pelas investigações sobre o caso. De acordo com o Vannuchi, a comissão percebeu várias contradições entre o que informam os militares e o que denunciam os moradores. "A versão das autoridades do Exército foi de reportar 13 ocorrências nestes quase sete meses de presença (na Providência). Já os familiares e moradores fizeram um relato dramático de repetidas ocorrências", disse Vanucchi. As denúncias recebidas pela comissão foram de espancamentos, revistas abusivas, invasões a domicílios e assédio às moradoras. Na reunião, os moradores e familiares pediram que o ministro encaminhasse pessoalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o pedido para que o Exército saísse do morro e que a Força Nacional de Segurança (FNS) não substituísse a tropa. "Não temos certeza que a opinião do grupo que se reuniu conosco representa a opinião de todos os moradores da Providência. A frase usada por eles foi ''não queremos trocar seis por meia dúzia''", afirmou Vanucchi.

Tudo o que sabemos sobre:
ExércitoMorro da Providência

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.