Mães denunciam más condições de higiene em hospital da UFRJ

Infestação de baratas foi filmada e comida mofada, servida; diretor da unidade diz que reformas estão em curso

CLARISSA THOMÉ / RIO, O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2011 | 03h03

Um grupo de mães, cujos filhos são tratados de câncer no Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), encaminhará ao Ministério Público Federal denúncias das más condições de higiene da instituição. Elas filmaram infestação de baratas no refeitório e relatam que crianças receberam refeições mofadas e com objetos estranhos. Os banheiros também estão mal conservados.

Os episódios começaram a ser registrados na semana passada. A dona de casa Júlia Ribeiro, de 21 anos, percebeu que a gelatina do filho, Pedro, de 1 ano e 5 meses, internado no local para fazer quimioterapia, estava mofada. À noite, a mãe conta ter encontrado um bolo de cabelos na refeição do filho. Ao descer para reclamar, deparou-se com a infestação de baratas no refeitório.

"Eram mais de 200. Elas saíam de uma tampa de bueiro que tem dentro do refeitório", conta. "Uma comida estragada não vai provocar apenas indisposição, meu filho vai ter de tomar antibiótico. É a vida dele que é colocada em risco." Mas ela ressalta que o filho vem sendo bem atendido. "Eu não sabia que no SUS tinha médico que dava o telefone para o paciente, como se a gente estivesse pagando."

Dois dias depois, Priscila Marinho, de 26 anos, encontrou um elástico no macarrão de Maria Clara, de 1 ano e 6 meses, internada para o tratamento de leucemia. "É um absurdo o descaso com as crianças", afirmou.

Ela relatou que, apesar de as crianças com leucemia ficarem isoladas, por causa do risco de infecção oportunista, todos os pacientes se banham no mesmo local.

"A água do banho de uma criança internada com pneumonia escorre e fica sob os pés dos nossos filhos, que são imunossuprimidos e podem adoecer", disse.

Obras. O diretor da instituição, Edmilson Migowski, afirmou que o hospital está em obras, o que pode ter provocado a infestação. Ele apresentou à reportagem documentos que comprovam dedetização recente - a última foi em julho. A reportagem também encontrou baratas no refeitório e numa área da cozinha que não está em uso, além de irregularidades como telas rompidas e saídas de esgoto na cozinha e refeitório. "O prédio é de 1953. Estamos fazendo obra na fachada, na rede de esgoto, entregamos no início do ano a reforma da emergência e do hospital-dia. Estamos licitando a reforma dos banheiros. Mas temos limite orçamentário."

Ele informou que estuda reformar o refeitório, com o restaurante explorado pela iniciativa privada. E diz que determinou mudança na etiquetagem dos alimentos, que seguirá com a data de fabricação para os pacientes. Mas refutou a contaminação da comida com cabelos e elástico. "A contaminação pode ter ocorrido no quarto."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.