Maia caminha para ser eleito presidente da Câmara por aclamação

O deputado Marco Maia (PT-RS) está perto de conseguir um feito raro na disputa da presidência da Câmara dos Deputados. Ele pode ser aclamado para o cargo com o apoio de todos os partidos --o que ocorreu apenas três vezes desde a redemocratização.

JEFERSON RIBEIRO, REUTERS

17 de janeiro de 2011 | 19h21

O deputado Sandro Mabel (PR-GO) é o único que pode impedir a façanha de Maia. O parlamentar disse à Reuters que está fazendo um processo de consultas a outros deputados para ver se há possibilidade de concorrer à presidência. Mabel não conta com o apoio nem mesmo de seu próprio partido, que fará na terça-feira um jantar em apoio à candidatura de Maia.

"Eu acho que uma candidatura única é ruim para o Parlamento. Eu estou consultando uns deputados para ver o sentimento da Casa. Até dia 25 ou 26 eu decido se concorro ou não. Mas eu não sou candidato", explicou à Reuters.

Até agora, Maia já tem ao seu lado as bancadas do PT, do PMDB, do PP, do DEM, do PSDB, do PCdoB, do PSB e do PR. No caso desses dois últimos, a adesão à candidatura do petista será formalizada nos próximos dias.

Outro deputado que cogitou em concorrer contra Maia e desistiu foi Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Ele presidiu a Câmara entre 2005 e 2006, quando o governo passava por uma forte crise política, e o comunista deixou o Ministério da Coordenação Política para disputar o cargo, que ficou vago após a renúncia de Severino Cavalcanti (PP-PE).

"Fui procurado por algumas lideranças e me comprometi a fazer consultas até o dia 15 (de janeiro). Eu concluí as consultas e cheguei à conclusão que não deveria apresentar minha candidatura. O problema não é ter uma candidatura única. É que a disputa está viciada. Um partido indica e aos outros resta a possibilidade de aderir ou não", criticou Aldo à Reuters.

Apesar da posição, Aldo disse que seguirá a orientação do seu partido e apoiará Maia. Ele considera que não será fácil para Mabel ter o apoio para concorrer. "Ele pode conseguir. Há uma insatisfação. Mas foi uma escolha das lideranças."

Esta será à 14a eleição desde 1987, e nem o deputado Ulysses Guimarães, ícone da redemocratização no Brasil, conseguiu ser aclamado pela Câmara. Naquele ano, o peemedebista histórico teve que concorrer contra o correligionário Fernando Lyra (PMDB-PE).

Maia pode repetir o feito dos deputados Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), que presidiu a Casa entre 1991 e 1992, Michel Temer (PMDB-SP), quando comandou a Câmara pela segunda vez entre 1999 e 2000, e João Paulo Cunha (PT-SP), que foi eleito para presidência nos dois primeiros anos do governo Lula, entre 2003 e 2004.

OPOSIÇÃO

Logo após o acordo entre PT e PMDB para dividir o comando da Câmara nos próximos quatro anos, os dois primeiros partidos que confirmaram o apoio a Maia foram os de oposição. O Democratas e o PSDB anunciaram ainda em dezembro que não disputariam a presidência da Casa.

O PSDB fechou um acordo com Maia para garantir um lugar na mesa diretora, que pode ser a vice-presidência ou a primeira-secretaria, e para que a bancada seja escolhida para relatar projetos importantes durante o biênio.

Ao DEM, assim como ao PSDB, Maia prometeu respeitar a regra da proporcionalidade, que garante às maiores bancadas a escolha de presidências das comissões permanentes de acordo com o número de deputados eleitos. O Democratas também terá um lugar na mesa diretora.

O deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP), favorito para liderar a bancada tucana em 2011, disse, por meio da assessoria, que o acordo fechado em dezembro para eleger Maia na presidência pelo líder João Almeida (PSDB-BA) será mantido.

DISPUTAS AGUERRIDAS

Nos últimos anos, a eleição pela presidência da Câmara chegou a ter disputas bastante acirradas.

Em 2005, dois deputados do PT não chegaram a um acordo e foram para a disputa contra outros três parlamentares. A base aliada do governo Lula rachou e o deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) foi para o segundo turno contra o candidato governista, Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP).

O pernambucano, conhecido como o "rei do baixo clero (grupo de deputados de pouca expressão)", ganhou a disputa, mas deixou o cargo em setembro ao ser acusado de cobrar propina para renovação das concessões de restaurantes na Câmara.

Num clima político muito tenso, o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo (PCdoB), deixou o cargo e reassumiu o mandato de deputado para concorrer ao mandato tampão. Dez parlamentares se candidataram à presidência.

A candidatura de Maia poderia ter resultado em nova disputa petista pelo comando da Casa. Além dele, os deputados Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Cândida Vaccarezza (PT-SP) disputaram dentro do partido a indicação da bancada. Chinaglia e Vaccarezza desistiram por falta de apoio na bancada.

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