Maia vai liderar reforma política e Planalto cuidará de tributos

O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), caso seja eleito para permanecer no cargo por mais dois anos, irá liderar o processo de discussão de uma reforma política, ao mesmo tempo em que o Executivo usará o capital político da presidente Dilma Rousseff para aprovar mudanças tributárias.

JEFERSON RIBEIRO E LEONARDO GOY, REUTERS

13 de janeiro de 2011 | 18h30

Segundo o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (PT-SP), o projeto enviado pelo ex-ministro da Justiça Tarso Genro ao Congresso em 2008 servirá de ponto de partida para a busca de um consenso sobre as mudanças na legislação política.

"A reforma política tem que ser feita no Congresso. Isso tem que ser refletido e debatido pelo Legislativo", defendeu. Teixeira revelou que Marco Maia, se eleito, criará um grupo de trabalho "logo no início da Legislatura" para construir uma proposta.

Na quarta-feira, a presidente revelou em conversa com representantes de jornais impressos que não pretende realizar um esforço neste tema enviando uma nova proposta de reforma política ao Congresso Nacional. À Reuters, um ministro que pediu para não ser identificado, confirmou que Dilma prefere focar suas energias em mudanças tributárias, como a desoneração da folha de pagamento.

Esse mesmo ministro argumentou que não há sentido para o Executivo enviar uma proposta para mudanças políticas que tratariam basicamente de temas ligados ao Legislativo.

Um auxiliar do vice-presidente Michel Temer, que pediu anonimato, também afirmou à Reuters que há preferência dentro do governo para que a reforma política fique como uma atribuição dos partidos da base aliada.

Ele lembrou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse por mais de uma vez que se envolveria na negociação desse tema. Talvez por isso, Dilma prefira não se envolver diretamente.

DIFCULDADES

Mas um parlamentar da base aliada que participou das discussões com o Executivo sobre a proposta de reforma política enviada em 2008 à Câmara vê dificuldades à frente se o processo for tocado dessa forma.

"Sem o empenho do governo a reforma não sai", disse o deputado, sob a condição de anonimato.

A opinião desse parlamentar, porém, não é unanimidade. O deputado Fernando Ferro (PE), que foi líder da bancada petista até dezembro, acredita que a reforma política é, de fato, uma atribuição do Congresso.

Para Ferro, se a proposta partisse do Executivo, poderia "provocar sensibilidades". "O governo pode colaborar, mas um debate mais do Congresso e da sociedade", disse.

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