Maior aversão ao risco nos mercado faz dólar subir 1,07%

O dólar subiu ante o real nesta quinta-feira pela segunda sessão seguida, após indicadores em todo o mundo apontarem para uma recuperação econômica global mais complicada e com investidores ainda preocupados em relação à zona do euro.

DANIELLE FONSECA, REUTERS

21 de junho de 2012 | 18h50

O dólar fechou em alta de 1,07 por cento, cotado a 2,0548 reais na venda. Durante o dia a moeda oscilou entre 2,0241 reais e 2,0575 reais.

Segundo operadores, também pode ter ocorrido saídas de dólares do país e o cenário externo conturbado deve fazer com que a moeda norte-americana continue mostrando volatilidade.

"Houve um fluxo de saída grande logo pela manhã e o cenário externo foi piorando ao longo do dia... O cenário externo voltou a tumultuar o mercado", disse o gerente de câmbio da Icap Corretora, Ítalo Santos.

Entre os motivos que deixaram o humor pior estão a queda do Índice de Gerentes de Compras (PMI) da China e da Alemanha.

Nos Estados Unidos, dados também vieram ruins, com destaque para a queda expressiva do indicador de atividade fabril da região Meio-Atlântico norte-americana, que contraiu pelo segundo mês seguido em junho, para -16,6.

Na Europa, o foco ainda tem sido o resgate dos bancos espanhóis, que devem precisar de entre 51 bilhões e 62 bilhões de euros. Segundo autoridades da zona do euro, os ministros das Finanças do euro definiram que a Espanha pode inicialmente se candidatar ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira (EFSF, na sigla em inglês) para a ajuda financeira.

O gerente ainda destacou que ainda pesou sobre os mercados as expectativas de que a agência de classificação de riscos Moody's deve rebaixar nesta quinta-feira os ratings de muitos dos maiores bancos do mundo, disseram fontes do setor bancário.

Apesar da alta do dólar, o Banco Central não atuou no mercado e já não faz intervenções por oito sessões consecutivas. Para Santos, no entanto, o BC deve seguir atento e tem as informações de fluxo para atuar quando julgar necessário.

"Ele sabe a hora de atuar e a hora ou não de dar liquidez ao amercado. Provavelmente não houve falta de liquidez", disse o gerente.

O diretor de câmbio da Intercam Corretora, Jaime Ferreira, é outro que destacou a piora do quadro internacional, que deu sustentação a alta do dólar.

"Se tem um número que surpreendeu foi o Fed Filadélfia, mês passado ele já veio com queda e o mercado achava que veria estável", afirmou.

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