Maior hospital de Sorocaba fica sem gesso

Escassez de gesso para corrigir fraturas no Hospital Regional de Sorocaba, o maior hospital público da região, fez com que pacientes chegassem a permanecer internados até 11 dias a mais que o necessário.

JOSÉ MARIA TOMAZELA , SOROCABA, O Estado de S.Paulo

21 Abril 2012 | 03h07

De acordo com o diretor da unidade, Luis Carlos de Azevedo Silva, havia gesso suficiente em estoque. "Há um clima de insatisfação de parte dos funcionários e pode ser boicote", afirmou. Parte dos funcionários aderiu a uma greve estadual convocada pelo Sindicato dos Servidores da Saúde (Sindsaúde).

O hospital, mantido pelo Estado, atende 3 mil pacientes por dia e é referência para 38 municípios da região. Reportagem da TV Tem gravou, com câmera escondida, depoimentos de pacientes que dependiam da colocação do gesso para receber alta. Um deles contou ter ficado com o braço quebrado sem o gesso durante 11 dias. "Colocaram só uma faixa, mas era mole", disse.

Um rapaz com uma perna e um braço quebrados disse esperava pelo gesso havia uma semana. "O médico dispensou da cirurgia, mas não deu alta porque não tem gesso", contou.

Funcionários disseram terem sido obrigados a pedir gesso emprestado à Santa Casa da cidade. E alegaram que gesso para adultos era usado em bebês.

Segundo Silva, havia cerca de mil caixas de gesso no almoxarifado, mas o material não foi posto à disposição. "Houve falta pontual de telas de tamanho médio, mas poderiam ser adaptadas telas maiores." Para ele, os responsáveis pelo estoque deixaram de informar a disponibilidade do produto. "Houve falta de comunicação ou má-fé. Vamos fazer uma apuração interna."

O SindSaúde informou que a falta de materiais no hospital é recorrente e culpar o funcionário é a pior forma de resolver o problema.

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