Maior uso de camisinhas na África é esperança contra aids

Em meio aos alertas sombrios a respeito da pandemia de aids, pesquisadores anunciam algumas boas notícias: certas estratégias de prevenção parecem estar funcionando na África.Em estudo publicado na revista médica britânica The Lancet, cientistas afirmam que entre as jovens mulheres africanas - a população onde a incidência de aids é maior - o uso de camisinhas aumenta. O trabalho foi realizado por John Cleland, da London´s School of Hygiene and Tropical Medicine, e por Mohamed Ali, da Organização Mundial da Saúde (OMS). Cleland e Ali analisaram 18 países africanos, de 1993 a 2001, procurando por mudanças nos hábitos sexuais de 132.800 mulheres. Embora as taxas de abstinência tenham mudado pouco, os pesquisadores descobriram que o uso da camisinha mais que triplicou, indo de 5,3% para 18,8%."Isto não é rápido o bastante, mas se o aumento continuar, ou acelerar, há de afetar a transmissão do HIV", afirmou Cleland.Especialistas no combate à aids preocupam-se há tempos com a lentidão da mudança de hábitos na África, o que dificulta o controle da epidemia no continente. Mas Cleland e Ali mostram que o uso de camisinha aumenta numa taxa parecida com a da adoção de métodos anticoncepcionais por casais casados no mundo em desenvolvimento, entre 1965 e 1998. O médico Kevin O´Reilley, especialista em combate à aids na OMS, e que não tomou parte no estudo, diz que o progresso pode ser lento, mas existe. "A situação não é tão desesperada quanto se pinta", disse.Cleland afirmou que o aumento no uso da camisinha observado na África é um sucesso, se comparado a outros esforços de saúde pública para modificar comportamentos. Por exemplo, o consumo de cigarros entre homens americanos diminui mais devagar do que aumenta o uso de camisinha pelas africanas.

Agencia Estado,

16 de novembro de 2006 | 23h01

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