Maioria dos piscinões da capital está cheia de lixo

Coordenador acha sujeira 'normal', mas população de vários bairros reclama do mato alto e se sente insegura

Felipe Oda, JORNAL DA TARDE, O Estadao de S.Paulo

14 Dezembro 2009 | 00h00

Garrafas pets, restos de móveis, entulho e terra suja. Dez dos dezoito piscinões ao ar livre da capital paulista - o 19º piscinão, o do Pacaembu, na zona oeste, é subterrâneo - mais parecem lixões. Criados para amenizar os estragos de enchentes, como a que parou São Paulo na terça-feira, a maioria dos reservatórios da capital está em condições precárias de manutenção. Quinta e sexta-feira da semana passada, a reportagem visitou os 19 piscinões e constatou que apenas oito estavam limpos. Com a cidade embaixo d"água, na terça-feira passada, o prefeito Gilberto Kassab disse que os "piscinões estavam com a limpeza realizada adequadamente".

Os moradores do Campo Limpo, zona sul, vizinhos do piscinão Jardim Maria Sampaio discordam. "Faz muito tempo que a Prefeitura não limpa isso aí. Basta olhar para os muros e ver a quantidade de lodo e garrafas pets. A sujeira junta ratos, baratas e mosquitos, que acabam indo para as casas", afirma a vendedora Luzinete de Souza, de 26 anos.

Situação semelhante ocorre na Brasilândia, zona norte, no piscinão do Bananal. "É tanta sujeira que ninguém aguenta o cheiro. Pede para o prefeito vir aqui e ver se está limpo. Fora o matagal, que está cheio de "noias" (usuários de drogas)", diz o comerciante Antonio Padilha, de 57 anos, que mora próximo do reservatório.

R$ 70 POR TONELADA

Segundo a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, até outubro foram removidas 120 mil toneladas de lodo e lixo dos piscinões. No ano passado, até dezembro, foram 160 mil. O serviço é executado por empresas contratadas por meio de pregões, que são remuneradas de acordo com a quantidade retirada: em média R$ 70 por tonelada. O coordenador de drenagem da secretaria, Domingos Gonçalves, defende que a sujeira flagrada pela reportagem é "normal". "Ninguém vai encontrar um piscinão brilhando nesta época do ano, mas está tudo em ordem", afirma. "Continuam recebendo água rapidamente e escoando aos poucos, que é a sua função."

CRIMINALIDADE

A falta de manutenção, porém, traz insegurança aos moradores. "Esse matagal daqui é um piscinão, pode acreditar. Os bandidos e estupradores se aproveitam desse mato alto e da escuridão", conta a doméstica Viviane Martins Gomes, de 31 anos, que mora na frente do Caguaçu, na zona leste. Mesmo limpos, os compartimentos para armazenar água das chuvas prejudicam os vizinhos. "Pretendia vender minha casa por R$ 75 mil. Após a construção do piscinão (Anhanguera, inaugurado no dia 3), o melhor valor que me ofereceram foi de R$ 60 mil. A obra desvalorizou meu imóvel", lamenta o padeiro Antonio Silvestre, de 44 anos.

Para o consultor em geologia de engenharia e geotecnia Álvaro Rodrigues dos Santos, os piscinões são contraindicados para São Paulo, em que córregos e rios apresentam um alto nível de poluição. "É impossível que eles sejam limpos em tempo para esperar outra chuva", afirma. "E por isso eles não deveriam ser considerados a primeira solução para o problema das enchentes, como são", ressalta. COLABORARAM NAIANA OSCAR e CRISTIANE BOMFIM

SITUAÇÃO ATUAL

Limpos: Anhanguera (Pirituba), Aricanduva 1 (S. Mateus) e 5 (Itaquera), Cedrolândia (Butantã), Inhumas (S. Mateus), Jabaquara, Rio das Pedras (Freguesia) e Sharp (Cpo. Limpo)

Sujos: Aricanduva 2 e 3 (São Mateus), Bananal (Freguesia), Caguaçu (São Mateus), Guaraú (Casa Verde), Jd. Maria Sampaio (Campo Limpo), Limoeiro (São Mateus), Oratório (Vila Prudente), Pedreira (Guaianases), Rincão (Penha)

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