Maioria em Israel aprova diálogo com Hamas, diz pesquisa

Organizador se diz surpreso com resultado; para analista, público está 'cansado' da guerra

Guila Flint, BBC

27 de fevereiro de 2008 | 08h10

A maioria dos israelenses defende que o governo inicie negociações diretas com o partido islâmico palestino Hamas, segundo uma pesquisa de opinião divulgada nesta quarta-feira, 27.   Os pesquisadores, ouvidos pela BBC Brasil, manifestaram surpresa com os resultados. A pesquisa, publicada pelo diário israelense Haaretz, revela que 64% dos israelenses apóiam negociações diretas entre o governo de Israel e o Hamas.Apenas 28% são contra e 8% disseram não ter uma opinião formada sobre o assunto.   O governo de Israel acusa o Hamas de promover o terrorismo e defende o boicote total ao movimento e o bloqueio à Faixa de Gaza, controlada pelo grupo.   Pesquisas feitas nos últimos anos indicavam que apenas cerca de 30% dos israelenses apoiavam negociações com o Hamas. "Cansados de guerras" O jornalista Yossi Verter, que acompanhou a pesquisa, disse à BBC Brasil que os resultados revelam que "o público israelense está cheio dessa situação de estagnação e cansado de guerras". "Os resultados são sem precedentes e revelam um amadurecimento do público israelense, que finalmente está chegando à conclusão de que a paz se faz com inimigos", disse Verter. De acordo com Verter, o alto índice de apoio à idéia de negociar com o Hamas "também decorre do tempo que passou desde os grandes atentados suicidas cometidos pelo grupo". "Já se passaram seis anos desde o auge dos atentados (em 2002), as coisas mudam, o público está cansado e mais maduro", disse. O professor de Estatística da Universidade de Tel Aviv e responsável pela pesquisa, Camil Fuchs, disse à BBC Brasil que ficou surpreso com os resultados. "Os dados me surpreenderam tanto que imediatamente telefonei ao jornal (Haaretz) para avisar e a notícia saiu na primeira página", disse Fuchs. "Não só o resultado final é surpreendente, mas também os diversos resultados por setores da população", acrescentou Fuchs. Apoio Segundo a pesquisa, até nos setores da população que geralmente apóiam partidos de direita e são contra qualquer concessão aos palestinos, como os imigrantes da ex-União Soviética e os ultra-ortodoxos, o apoio à negociação com o Hamas é bastante significativo. Entre os imigrantes da ex-União Sovietica, 64% apóiam as negociações, e no setor ultra-ortodoxo, o apoio é de 51%. A pesquisa ouviu 500 israelenses, que representam proporcionalmente todos os setores da população. A divisão por partidos políticos também foi examinada e revela que entre os eleitores do partido de direita Likud 48% apóiam a negociação com o Hamas, enquanto que no partido de centro Kadima, do primeiro ministro Ehud Olmert, o apoio chega a 55%, e no partido Trabalhista, de esquerda, a 72%. A opinião de que Israel deve negociar um cessar-fogo com o Hamas tambem é defendida por ex-chefes dos principais serviços de inteligência de Israel, como o ex-chefe do Mossad (inteligência internacional) Efraim Halevy e Yacov Peri, ex-chefe do Shin Bet (inteligência doméstica).     Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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