''Maioria hoje aprova pedágio urbano''

ENTREVISTA

Afra Balazina,

01 Junho 2011 | 12h24

Sten Nordin, prefeito de Estocolmo

O pedágio urbano, em geral, é bastante impopular. Ele tem funcionado em Estocolmo?

Desde 2006, a medida reduziu o tráfego em 20%, os tempos de viagem foram reduzidos entre 30% e 40% e qualidade do ar melhorou entre 10% e 14%. O pedágio também tem sido uma força importante para o aumento das vendas de carros limpos (que não pagam a taxa). O pedágio foi introduzido como experiência em 2006 e, na época, foi muito criticado pelos cidadãos. A maioria não conseguia ver os efeitos positivos, até que ele foi colocado em prática. Agora, a opinião pública mudou. Uma clara maioria da população está a favor do sistema e vemos mais bicicletas nas ruas, mais pessoas também usando transporte público.

Estocolmo foi a primeira cidade eleita capital verde da Europa. Qual foi o fator decisivo para o reconhecimento?

É uma questão muito difícil de responder, mas eu diria que os moradores de Estocolmo têm um papel importante nisso. Nossos cidadãos esperam muita coisa de nós, políticos. Alguns podem pensar que impusemos essas metas duras de eficiência energética, de corte de emissões. Mas é o contrário. Eles demandam uma cidade sustentável, eles nos pressionam para termos ciclovias ainda melhores, monitoram nossas políticas e esperam que forneçamos instalações adequadas para reciclagem, entre outras coisas.

Quantos quilômetros de ciclovia existem em Estocolmo hoje?

Temos 760 quilômetros de ciclovias (São Paulo, por exemplo, tem 35,7 quilômetros). E temos um plano de longo prazo para ampliar ainda mais essas vias para bicicletas, tanto no centro como para quem vem da periferia.

E quanto há de verde no município?

Temos grande abundância de parques. Aproximadamente 90% da população vive a menos de 300 metros de áreas verdes e corpos d"água. Os espaços verdes são populares para a recreação, a prática de esportes, os eventos sociais e outras atividades ao ar livre. E os lagos oferecem uma boa oportunidade para natação, pesca e passeios de barco.

Qual é a importância da troca de experiências entre as cidades no combate às mudanças climáticas?

A poluição e os gases de efeito estufa não reconhecem fronteiras municipais. Isso ressalta a importância e os benefícios mútuos da cooperação além das fronteiras. Queremos ajudar a divulgar as soluções locais e, dessa forma, contribuir para responder aos desafios globais das mudanças climáticas.

Para nós, a C40 tem grande prioridade. Além da troca de experiências, é uma oportunidade para os políticos se encontrarem e firmarem compromissos e acordos.

O que o senhor sugere para uma cidade como São Paulo?

Eu sugeriria um plano de ação para o longo prazo. Olhando para o futuro, Estocolmo tem metas climáticas muito ambiciosas. Há uma unidade política ampla para a cidade se tornar livre de combustíveis fósseis em 2050. Em 2015, a cidade tem como objetivo a redução das emissões de dióxido de carbono (CO2) em 43% em relação a 1990.

Para cada habitante, isso significa reduzir as emissões de 5,3 toneladas de CO2 em 1990 para 3 toneladas em 2015. Essa redução significativa vai ocorrer, apesar do crescimento da população e da economia, principalmente com a diminuição do uso de combustíveis fósseis nos sistemas de aquecimento urbano.

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