Maioria já concorda com a teoria evolutiva desde a graduação

Quase 80% dos alunos de primeiro ano do IB-USP apontaram a evolução como explicação para origem do homem

O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2012 | 03h07

Será que o estudo da biologia - e, mais especificamente, da evolução biológica - torna as pessoas menos religiosas ou os alunos que procuram a disciplina já são, por princípio, menos religiosos que os outros?

Essa é uma das questões levantadas pelo trabalho publicado nos Anais da Academia Brasileira de Ciências. Para tentar resolvê-la, os autores aplicaram um questionário a cerca de 160 alunos de graduação do Instituto de Biociências e da Faculdade de Veterinária, logo na aula introdutória de biologia, no qual eles tinham de escolher entre uma explicação evolutiva, criacionista ou de design inteligente para a origem do homem. Entre os alunos das biociências, 79% concordaram com a explicação evolutiva, comparado a 49% da veterinária.

"De início, achávamos que a diferença verificada na pós-graduação se devia à eficiência do ensino da evolução nas biociências", conta o pesquisador Antonio Marques. "Mas não. A diferença, aparentemente, vem desde a graduação. O aluno de biologia já entra na universidade com essa tendência."

Os autores propositalmente evitaram fazer comparações com disciplinas que trabalham diretamente com o ser humano, como Medicina ou Psicologia. "As pessoas, em geral, tendem a dissociar o ser humano do processo evolutivo", justifica Marques. "Ainda que não neguem a evolução, falam dela em terceira pessoa, como se estivessem excluídas do processo."

"Para evitar esse viés em potencial, achamos melhor comparar as biociências com a veterinária, que também trabalha com organismos não humanos", completa Marques. / H.E.

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