Mais alunos poderão ser obrigados a refazer Enem

A presidente do Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Malvina Tuttman, disse hoje, em Fortaleza, que o número de alunos do Colégio Christus obrigados a refazer as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) poderá ser maior do que os 639 matriculados no ensino pré-universitário. A medida também poderá atingir os cerca de 320 matriculados nos cursinhos da própria escola.

CARMEN POMPEU, Agência Estado

31 Outubro 2011 | 19h09

"Serão todos os que tiveram acesso pela escola a esse documento", disse a pedagoga, durante encontro com jornalistas no auditório do Banco Central na capital cearense. De acordo com ela, a quantidade será determinada por meio das investigações que estão em curso na Polícia Federal (PF). De acordo com informações do próprio Inep, o custo de aplicação do Enem é de R$ 45 por candidato. Caso as investigações indiquem que a responsabilidade pela antecipação das questões seja do Colégio Christus, ele arcará com as despesas para a reaplicação.

"Em relação a quantos estudantes desta escola fizeram e participaram, enfim, fizeram as apostilas, preencheram os exercícios, isso a Polícia Federal irá fazer a investigação e tirar as conclusões. Nesse sentido, o Inep está aguardando", informou Malvina. A presidente do Inep disse que a PF está agilizando os seus procedimentos. "Nós estamos confiantes na resolução, na informação o mais rápido possível que a Polícia Federal irá oferecer ao Ministério da Educação", comentou.

Na manhã de hoje, ela participou de uma reunião com o juiz da 1ª Vara Federal, Luís Praxedes Vieira, que está analisando a ação proposta pelo procurador da República no Ceará, Oscar Costa Filho, pedindo anulação do Enem ou das 14 questões supostamente vazadas. Segundo a assessoria de comunicação da Justiça Federal, o juiz só vai se pronunciar amanhã.

De acordo com a Justiça Federal, a diretora de Ensino Básico do Inep, Maria Tereza Barbosa, afirmou, durante a reunião, que houve uma "falha contingencial". Malvina, no encontro com jornalistas, afirmou estar confiante de que as 14 questões não serão anuladas. "Este não é o encaminhamento pedagógico, técnico-científico que o Inep apresenta na peça que hoje entregou à Justiça. E nós estamos confiantes de que os nossos argumentos, sempre pedagógicos, sempre técnicos, prevaleçam".

Na avaliação dela, não houve vazamento. "A questão é de ética. Eu falo como educadora, como professora há 42 anos neste País. É preciso que possamos discutir como estamos trabalhando valores éticos nas nossas escolas", afirmou. "A questão é: que valores as nossas escolas estão desenvolvendo com os nossos alunos?", apontou. "Não houve vazamento. Alguém pegou dois cadernos de prova, guardou durante um ano e utilizou esse material numa apostila da escola. Portanto, não houve vazamento", insistiu Malvina.

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