Mais crédito para o agronegócio familiar

Agricultores conseguem melhorar rentabilidade com recursos do Pronaf, que tem juros acessíveis para os pequenos

Niza Souza, O Estado de S.Paulo

19 Julho 2007 | 06h32

A propriedade é pequena, dois hectares, mas o produtor de flores José Benedito Dainezi, de Holambra (SP), é um bom exemplo de que, com incentivo, a agricultura familiar pode colaborar ainda mais com o agronegócio brasileiro. Em 2001 ele deixou o emprego como gerente de uma fazenda. Conseguiu um financiamento no programa Banco da Terra - crédito fundiário do governo - para comprar um sítio e outro no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, o Pronaf, para iniciar a produção. Na época, Dainezi se encaixava no Pronaf A, linha para assentados ou beneficiários do crédito fundiário. ''''Consegui R$ 12 mil, o teto da linha'''', lembra ele. ''''Com o dinheiro comprei algumas estufas e os insumos para começar a produzir.'''' Hoje já são 4 mil metros quadrados de estufa, que garantem a produção de 3 mil vasos de gérbera por semana. De olho nestes produtores, a maioria hoje no Brasil, o governo federal tem destinado cada vez mais verbas para o Pronaf. Nos últimos sete anos, o volume de dinheiro aumentou seis vezes. Na safra 2000/2001, a verba destinada para as linhas do Pronaf era de pouco mais de R$ 2 bilhões. Para a próxima safra, 2007/2008, o governo vai repassar R$ 12 bilhões. Apesar de todo esse volume de recursos alocados para o Pronaf, muitos agricultores ainda enfrentam obstáculos para conseguir acesso ao crédito. Na safra passada o governo alocou R$ 9 bilhões, mas só foram contratados R$ 6,2 bilhões. ''''Falta informação e sobra burocracia'''', analisa o consultor José Carlos Pedreira de Freitas. Ele calcula que o potencial de contratos do Pronaf são os cerca de 3,5 milhões de produtores que estão fora do chamado ''''agronegócio brasileiro''''. Mas na safra passada, o volume de contratos foi de 1,4 milhão, menos da metade do potencial. Para Freitas, que também é diretor da Feira da Agricultura Familiar e do Trabalho Rural (Agrifam), há falta de estímulo para as instituições financeiras emprestarem. Além disso, diz, os bancos exigem garantias que os produtores não têm como oferecer. ''''Não é à toa que os Estados que mais financiam no Pronaf são Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde os pequenos produtores são parceiros, ligados a grandes empresas, que dão a garantia complementar.'''' MAIS INFORMAÇÃO O diretor de Financiamento e Proteção da Produção Rural do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), João Luiz Guadagnin, trabalha com outros números, mais otimistas. Segundo ele, o MDA estima o universo de crescimento do Pronaf em torno de 800 mil contratos. ''''Hoje, mais da metade da agricultura familiar está no programa. O índice é maior nos grupos C, D e E, onde se enquadram os produtores que têm uma relação mais intensa com o comércio'''', diz. ''''Pode haver problemas, mas são localizados. Não há dificuldade de acesso ao crédito.'''' Mesmo assim, Guadagnin destaca que uma das ações do governo para o plano safra 2007/2008 para a agricultura familiar é justamente a ampliação dos recursos voltados para a assistência técnica e extensão rural. Serão destinados em torno de R$ 168 milhões para a capacitação de 20 mil técnicos. O plano para o próximo ano-safra também tem outras boas notícias para os produtores familiares, como a redução de juros para todos os grupos, que eram entre 1% e 7,25% e passam agora para 0,5% a 5,5% ao ano; a ampliação dos limites de financiamento para os grupos A/C, C e D; e o aumento dos limites de renda, que passaram de R$ 80 mil para R$ 110 mil. PRONAF EM NÚMEROS R$ 10 bilhões foi o montante alocado pelo governo na safra 2006/2007 R$ 6,2 bilhões foi o volume contratado pelos produtores em 2006/2007 R$ 9 bilhões foram destinados para o Pronaf na safra 2005/2006 R$ 7,6 bilhões foram contratados em 2005/2006

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