Mais crianças estão expostas à pornografia online, diz estudo

Mais crianças e adolescentes estão sendo expostos à pornografia online, a maioria vendo acidentalmente sites com conteúdo de sexo explícito enquanto surfa na internet. A conclusão faz parte de um estudo publicado na revista Pediatrics, de fevereiro, que chega às bancas dos Estados Unidos nesta segunda-feira. O estudo foi feito por pesquisadores da Universidade de New Hampshire. A pesquisa elaborada pelos estudiosos norte-americanos apurou que 44% dos usuários da internet entre 10 e 17 anos mantiveram contato com pornografia online no ano passado. Destes, 66% afirmaram que não queriam ver as imagens e chegaram acidentalmente aos sites. Mais de um terço dos garotos entre 16 e 17 anos afirmaram que visitaram, intencionalmente, sites com conteúdo erótico. Entre as garotas, o número cai para 8%. A pesquisa foi elaborada a partir de entrevistas telefônicas feitas com garotas e garotos entre os 10 e 17 anos, com o consentimento dos pais. Para o pediatra Michael Wasserman, de Louisiana, que não fez parte do estudo, "realmente, perdeu-se a idéia da idade da inocência". Pornografia online foi definida no estudo como imagens de pessoas peladas ou mantendo relações sexuais. "Hoje em dia isto é tão comum, quem ainda não viu algo assim?", aponta Emily Duhovny, de 17 anos, editora do site Sexetc.org, um espaço dedicado a tratar de questões sexuais com um abordagem para crianças e adolescentes, em parceria com a Universidade Rutgers. De acordo com a jovem, imagens pornográficas "pipocam" o tempo todo enquanto ela está online. Na primeira vez em que ela teve contato com o material ela se disse "chocada", mas que agora, "mais do que qualquer coisa, isto é apenas aborrecedor". "Isto não tem que ser uma coisa negativa, mas, também não pode ser tudo o que se tem a aprender sobre educação sexual", advertiu. A pesquisa, conduzida entre março e junho de 2005, reportou que a exposição de material erótico acidental atingiu inclusive garotos e garotas entre 10 e 11 anos de idade, algo em torno de 17% dos meninos e 16% das meninas. O que põe as crianças no topo do risco da exposição indesejada de pornografia é a utilização de programas de compartilhamento de arquivos, do tipo Kazaa e Emule, o que torna programas de filtragem e bloqueio de material pornográfico, muitas vezes, ineficazes. Para a psiquiatra Sharon Hirsch, da Universidade de Chicago, a exposição à pornografia online pode expor as crianças ao risco de se tornaram sexualmente ativas muito cedo ou, até mesmo, abrir margem para que elas sejam vitimizadas por predadores sexuais - adultos que se aproveitam de crianças. "Eles estão vendo coisas às quais eles não estão realmente preparados para ver, que pode causar trauma neles", disse a médica. A exposição também pode criar uma percepção inadequada sobre o que vem a ser um relacionamento sexual saudável e seguro, disse Janis Wolak, autora do estudo e pesquisadora do Centro de Pesquisas sobre Crimes contra Crianças da Universidade de Hampshire.

Agencia Estado,

05 Fevereiro 2007 | 04h22

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