Mais de 500 morreram em conflitos na Nigéria, dizem ativistas

Manifestações começaram após eleição de político cristão do sul do país, predominantemente muçulmano

Reuters

24 de abril de 2011 | 14h22

Soldado nigeriano observa carro atingido por tiros em Kaduna, norte do país

 

LAGOS - Mais de 500 pessoas morreram nos conflitos que se seguiram à eleição na semana passada, principalmente no norte do país, região predominantemente muçulmana, disse neste domingo, 24, um grupo de apoio aos direitos humanos da Nigéria.  O grupo também advertiu que pode haver mais violência durante as eleições estaduais da próxima terça-feira.

 

Jovens realizaram protestos nas cidades do norte depois que Goodluck Jonathan, um cristão do sul, foi declarado o ganhador da eleição, vencendo o ex-ditador militar e muçulmano do norte Muhammadu Buhari.

Observadores e muitos nigerianos dizem que o pleito foi o mais justo na populosa nação africana em várias décadas e líderes do mundo todo já parabenizaram e reconheceram a vitória de Jonathan. Mas Buhari diz que houve fraude na contagem dos votos e seus seguidores recusaram-se a aceitar o resultado.

O Congresso dos Direitos Civis (CRC, na sigla em inglês) da Nigéria disse que mais de 500 pessoas foram mortas na segunda-feira e na terça-feira em apenas três cidades: Zonkwa, Kafanchen e Zangon Kataf, na parte sul do estado de Kaduna. "As vítimas foram rodeadas e atacadas e suas casas foram queimadas", disse à Reuters o presidente do CRC, Shehu Sani, num relatório baseado em testemunhos de um grupo de membros das comunidades.

Igrejas, mesquitas, casas e lojas foram incendiadas durante os conflitos. Apesar de um toque de recolher imposto pelo Exército ter reduzido a violência em algumas das maiores cidades depois de apenas um dia, os soldados estão demorando mais a chegar às cidades mais distantes.

Sani disse que o CRC - que tem sede em Kaduna - confirmou a morte de 316 pessoas em Zonkwa, 147 em Sangon Kataf e 83 em Kafanchan. "Os soldados só chegaram lá depois", disse ele.

Uma contagem dos números registrados por autoridades da Cruz Vermelha, de funcionários de saúde e de testemunhas que visitaram os hospitais mostram que houve pelo menos 130 mortos. Mas isso foi apenas em algumas das maiores cidades e não inclui aquelas mencionadas no relatório do CRC. Os conflitos deixaram mais de 40 mil refugiados.

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